O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) disputará pela segunda vez o governo de São Paulo. A oficialização da candidatura ocorreu em convenção estadual realizada em Campinas, movimento visto como aceno ao interior do estado. Na chapa, o vice será Márcio França (PSB), que já comandou o Ministério do Empreendedorismo no governo federal.
Em 2022, Haddad enfrentou Tarcísio de Freitas (Republicanos) e acabou derrotado no segundo turno. Agora, o desafio é reduzir a rejeição ao PT entre os paulistas, que cresceu nos últimos meses. Pesquisa Datafolha divulgada em julho aponta que 47% dos eleitores rejeitam o nome do petista, ante 38% em março.
O atual governador, Tarcísio de Freitas, que tenta a reeleição, registra índice de rejeição de 29%, segundo o mesmo levantamento. A diferença é vista como ponto de atenção pela equipe de campanha de Haddad, que aposta em uma estratégia de aproximação com o eleitorado.
Interlocutores da campanha do petista afirmam que a ideia é discutir propostas para problemas do dia a dia, como segurança pública, saúde e emprego, para reduzir a resistência ao partido. A estratégia busca minimizar o chamado antipetismo, especialmente no interior do estado.
Apesar de o PT nunca ter governado São Paulo, a legenda venceu três eleições na capital: com Luiza Erundina (1989-1992), Marta Suplicy (2001-2004) e o próprio Haddad (2013-2016). Haddad, que foi o último prefeito petista da cidade, perdeu a reeleição em 2016 ainda no primeiro turno para João Doria, então no PSDB.
Natural de São Paulo, Haddad também disputou a Presidência da República em 2018, quando substituiu o ex-presidente Lula, impedido pela Lei da Ficha Limpa. Na ocasião, foi superado por Jair Bolsonaro (PL). A trajetória política do candidato inclui passagens pelos ministérios da Educação (2005-2012) e da Fazenda (2023-2026).
O calendário eleitoral prevê o primeiro turno para 4 de outubro, e os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas. A campanha de Haddad pretende intensificar a presença em municípios do interior, onde a rejeição ao PT costuma ser maior.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa apontam que a estratégia de focar em pautas locais pode ajudar a reduzir a rejeição, mas alertam que o cenário ainda é desafiador para o petista. A disputa pela sucessão paulista deve ser uma das mais acirradas do país neste ano.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-busca-combater-antipetismo-em-campanha-pelo-governo-de-sp

