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São Paulo

Haddad defende cautela em processo de impeachment contra ministros do STF

Candidato ao governo de SP rebateu declaração de Tarcísio de Freitas e afirmou que punição não pode ocorrer por conveniência política.

Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São PauloFoto: Alessandra Ferreira/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
20 de agosto de 202618:06
Atualizado agora há pouco às 21:06

O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), rebateu nesta quinta-feira (20/8) a declaração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que defendeu a possibilidade de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante evento de campanha no Capão Redondo, zona sul da capital, o petista afirmou que, embora todos os cidadãos estejam sujeitos à lei, um processo como esse não poderia acontecer por «conveniência política».

«Não sei se a legislação atual é clara a respeito, mas todo servidor público é sujeito à lei. Não importa se ele é ministro do Supremo, juiz, promotor, desembargador. Todos os servidores públicos e cidadãos estão sujeitos à lei. O que não pode é [punir] por conveniência política», declarou Haddad.

O ex-ministro da Fazenda reforçou que é preciso ter cautela para não politizar o tema. «Tem que ter muito cuidado com isso, porque daqui a pouco nós estamos perseguindo um juiz que está julgando fatos concretos, crimes sendo cometidos. Precisamos ter cautela para não politizar isso. Mas em casos de crime cometido por um ministro do Supremo, ele está sujeito à lei, como você e eu», acrescentou.

A fala de Haddad ocorre em meio à disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, na qual ele e Tarcísio são adversários. O governador, que apoia a reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), tem defendido a possibilidade de impeachment de ministros do STF, posição que o petista classificou como equivocada.

Durante o evento, Haddad também foi questionado sobre um comentário feito contra Tarcísio no primeiro debate entre os dois, realizado há cerca de duas semanas. Na ocasião, o petista ironizou o governador chamando-o de «concurseiro» e «decoreba», em referência ao fato de Tarcísio ter citado bairros e regiões do estado durante o debate.

A provocação se referia a uma situação de 2022, quando o governador virou meme após demonstrar desconhecimento sobre uma região do estado. Questionado no evento desta quinta, Haddad disse que fez «uma brincadeira», mas reforçou acreditar que Tarcísio «decora nomes de lugares que desconhece».

«Eu não acho que ele conheça os lugares que ele cita, mas ele faz bem esse papel. Então eu fiz uma brincadeira com ele, ele fez comigo também, não tem problema. Faz parte de animar um pouco a campanha. Tem que ter uma brincadeira ou outra de vez em quando», finalizou o ex-ministro.

A declaração de Haddad sobre o impeachment ocorre em um momento de tensão entre o governo federal e o STF, especialmente após decisões da Corte que afetaram o governo. O petista, porém, evitou aprofundar o assunto e defendeu que a punição de ministros, se houver crime, deve seguir os trâmites legais, sem motivações políticas.

O evento no Capão Redondo faz parte da agenda de campanha de Haddad, que busca ampliar o apoio na zona sul da capital paulista. Pesquisas recentes apontam empate técnico entre ele e Ricardo Nunes, com Tarcísio atuando como cabo eleitoral do atual prefeito.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-rejeita-sugestao-de-impeachment-a-ministros-do-stf-cautela

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