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São Paulo

Motorista de Haddad diz que pediu imagens de câmera e não teve acesso; PM nega abordagem

Em depoimento à Polícia Civil, motorista de Fernando Haddad afirma que identificou câmera que registraria ação da PM e que pediu acesso às imagens, mas não obteve. Governo de SP fala em possível falsa comunicação de crime.

Fernando Haddad em agenda no Capão Redondo. Diogo Zacarias
Raphael Nogueira Felix
20 de agosto de 202618:41
Atualizado agora há pouco às 21:41

O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (20/8) que o motorista que o conduzia durante um episódio de suposta abordagem policial, ocorrido em 11 de agosto, identificou uma câmera de segurança que teria registrado o momento exato da ação de policiais militares. Segundo Haddad, o funcionário solicitou as imagens à Polícia Civil, mas não conseguiu obtê-las.

“Ele pediu uma imagem de uma câmera e não teve direito, não teve acesso. Eu não acredito que ele tenha falado nada que contraria os fatos. Ele identificou exatamente a câmera cuja imagem esclareceria o fato”, declarou o petista durante agenda no Capão Redondo, zona sul da capital.

A declaração ocorre após o governador Tarcísio de Freitas afirmar que análises preliminares indicam possível falsa comunicação de crime por parte do motorista. As versões divergem: enquanto o condutor alega que uma viatura parou e os policiais desceram, as imagens divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) mostram que o veículo passou pelo hotel sem parar.

O motorista prestou depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (17/8). O Metrópoles teve acesso ao relato e apurou que parte da narrativa diverge da cronologia registrada pelas câmeras de segurança divulgadas pela SSP. Segundo o depoimento, após deixar Haddad em casa, o motorista teria seguido para um hotel na Rua Joinville, na Vila Mariana, por volta das 21h58, após notar o que seria o segundo contato com viaturas da PM naquela noite.

O homem afirmou que escolheu o hotel justamente pela presença de câmeras de segurança. Quando já havia estacionado, outra viatura teria se aproximado, parado à frente e os policiais desembarcado. Três agentes teriam ficado em pé na calçada, e um deles ordenado: «Vaza». Nesse momento, o motorista teria contatado outra pessoa via WhatsApp, relatando o comportamento dos policiais e dizendo que se sentia “monitorado”.

“Ficaram me seguindo”, relatou o profissional em mensagem. Em outro trecho, ele afirma ter sentido medo: “Mano, que medo”. O motorista também disse que entrou em contato com um advogado após estacionar o carro na terça-feira.

O homem prosseguiu o depoimento dizendo que deixou a Rua Joinville por volta das 23h09 e seguiu para casa, sem novos contatos com viaturas. As imagens divulgadas pela SSP mostram o carro estacionado em frente ao hotel às 21h58, conforme registro de câmera de um condomínio residencial.

A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública para comentar o assunto, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.

O caso ganhou repercussão política em meio à campanha eleitoral. Enquanto a defesa do motorista sustenta a versão da abordagem, o governo estadual aponta inconsistências. A Polícia Civil segue investigando o episódio, e as imagens das câmeras devem ser decisivas para esclarecer o que ocorreu.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-motorista-nao-teve-acesso-a-video-que-mostraria-acao-da-pm

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