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MPSP denuncia Beto Louco e mais 15 por esquema de desvio de metanol em postos

O Ministério Público de São Paulo denunciou 16 pessoas por envolvimento em esquema de desvio de metanol para adulteração de combustíveis, com ligação com o PCC.

Foto: Divulgação/Receita Federal
Raphael Nogueira Felix
26 de agosto de 202616:15
Atualizado há 18 dias às 21:43

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra 16 homens suspeitos de participar de um esquema de desvio de metanol usado para adulterar combustíveis. A ação faz parte da Operação Carbono Oculto, que investiga fraudes no setor e lavagem de dinheiro.

Entre os denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como «Beto Louco». Segundo a promotoria, ele e os demais acusados integraram, promoveram e financiaram uma organização criminosa voltada para o desvio do produto, a adulteração de combustíveis e a lavagem de dinheiro.

Em nota, a defesa de Roberto Augusto Leme da Silva afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo. Segundo os advogados, com base nas informações divulgadas pela imprensa, os fatos tratados na denúncia não teriam qualquer relação com Roberto. A defesa classificou a inclusão do empresário no processo como “uma infeliz tentativa de gerar repercussão midiática”, afirmando que situação semelhante já teria ocorrido anteriormente.

A denúncia foi protocolada no âmbito da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Na ocasião, cerca de 1.400 agentes de diversos órgãos, como MPSP, Polícia Federal, Receita Federal e Polícia Militar, cumpriram mandados em oito estados, incluindo São Paulo, Goiás, Paraná e Santa Catarina.

As investigações apontam que o grupo agia desde a importação do metanol até a distribuição nos postos de combustíveis, muitos deles ligados a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). O esquema também envolvia fraudes documentais, crimes fiscais e contra a ordem econômica.

Um dos pontos centrais da apuração é o uso de fintechs, instituições de pagamento localizadas na região da Faria Lima, em São Paulo, para movimentar os recursos. A escolha por essas empresas, em vez de bancos tradicionais, tinha como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro.

De acordo com os investigadores, as fintechs operavam com contabilidade paralela, permitindo transferências entre empresas e pessoas físicas sem que os beneficiários finais fossem identificados. O esquema de lavagem de dinheiro era sofisticado e envolvia a ocultação da origem dos valores.

A Operação Carbono Oculto já resultou em mais de 350 alvos, incluindo suspeitos de crimes ambientais, estelionato e adulteração de combustíveis. A força-tarefa contou com o apoio de unidades do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em diversos estados.

O MPSP pede a condenação dos denunciados pelos crimes de organização criminosa, adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e fraudes contra o consumidor. A Justiça de São Paulo ainda vai analisar a denúncia e decidir se a aceita.

A ação é considerada uma das maiores já realizadas contra fraudes no setor de combustíveis no país, com impacto direto na economia e na segurança pública. As investigações continuam em andamento para apurar outros possíveis envolvidos e o total de recursos desviados.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/carbono-oculto-mpsp-denuncia-beto-louco-e-mais-15-por-desvio-de-metanol

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