O interrogatório do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi adiado pela segunda vez. O depoimento estava marcado para esta sexta-feira (28/8), mas foi remarcado para o dia 8 de setembro, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
O interrogatório estava marcado inicialmente para 3 de julho, mas foi adiado pela primeira vez a pedido da defesa e remarcado para 28 de agosto. Agora, o depoimento foi novamente adiado e ficou marcado para 8 de setembro. A mudança ocorreu após um novo pedido da defesa, que aguarda a inclusão de um laudo suplementar no processo.
Segundo o advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família da PM Gisele, o documento ainda não foi anexado aos autos e, por isso, o interrogatório não poderá ocorrer na data prevista. A defesa do oficial solicitou o adiamento para garantir que o laudo seja incorporado ao processo antes do depoimento.
Gisele Alves Santana foi encontrada morta em fevereiro deste ano. O caso foi inicialmente registrado como óbito, mas depois o coronel foi preso e passou a ser investigado por feminicídio. A prisão preventiva do oficial foi decretada em 17 de março.
O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal do tenente-coronel e para quem Geraldo ligou após o disparo, não foi arrolado como testemunha para a audiência de instrução. Os autos mostram que tanto a acusação quanto a defesa entenderam que sua participação, embora relevante no dia dos fatos, não era necessária ou pertinente para a prova do crime em si.
O magistrado foi até o apartamento na manhã em que Gisele foi encontrada morta e orientou o tenente-coronel. Antes disso, o militar havia ligado diversas vezes para o desembargador. Cogan relatou à Polícia Civil que, naquela manhã, havia acabado de sair de uma aula de ginástica, quando recebeu uma ligação do coronel, que falava de forma acelerada e nervosa.
Registros da Polícia Científica, obtidos pelo Metrópoles, mostram que esse contato não foi imediato nem único. Antes de conseguir falar pela primeira vez com o desembargador, às 8h04, o tenente-coronel tentou contato, ao menos três vezes, entre 8h02 e 8h03.
O caso segue em segredo de justiça, e a nova data para o interrogatório foi confirmada pelo tribunal. A família de Gisele aguarda o desenrolar do processo, que deve esclarecer as circunstâncias da morte da policial militar. A expectativa é de que o laudo suplementar seja anexado nos próximos dias para que o depoimento ocorra sem novos adiamentos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pela-2a-vez-interrogatorio-de-coronel-acusado-de-matar-pm-gisele-e-adiado

