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Vargem

MP pede que motorista de caminhão responda por homicídio doloso após queda de passarela

Ministério Público de São Paulo solicita reclassificação do crime para dolo eventual, após acidente na Rodovia Fernão Dias que matou duas pessoas.

Material cedido ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
28 de agosto de 202619:23
Atualizado agora há pouco às 22:23

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou à Justiça que o motorista Deyvidson Temudo de Oliveira, envolvido na queda de uma passarela na Rodovia Fernão Dias, em Vargem, no interior paulista, passe a responder por homicídio doloso, na modalidade dolo eventual. A reclassificação foi pedida durante as investigações do acidente ocorrido em 18 de agosto, que resultou na morte de duas pessoas.

De acordo com a manifestação do MPSP, o condutor teria assumido o risco de provocar o acidente ao trafegar com carga acima das dimensões autorizadas e realizar uma ultrapassagem próxima à estrutura. O órgão também se posicionou contra o pedido de liberdade feito pela defesa e solicitou que o caso seja encaminhado à Vara do Júri de Bragança Paulista.

O acidente vitimou Douglas Soares Quaresma, de 40 anos, e Rosângela Carlos Soares Chaves, de 63, que eram mãe e filho e estavam em um VW Virtus que seguia pela rodovia. Uma terceira pessoa ficou ferida. A passarela caiu sobre o veículo após o impacto do caminhão.

O promotor Cristiano Pereira Moraes Garcia, responsável pela manifestação, afirmou que a conduta do caminhoneiro foi além de uma simples imprudência. Para o Ministério Público, as circunstâncias do acidente indicam que Deyvidson teria assumido o risco de provocar o resultado.

Um dos principais pontos levantados pelo órgão é o tamanho da carga transportada. Segundo apuração da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Autorização Especial de Trânsito permitia que o conjunto tivesse até 4,40 metros de altura e 3,30 metros de largura. O teste do bafômetro feito no caminhoneiro deu resultado negativo e ele estava habilitado para conduzir esse tipo de veículo, na categoria AE.

Durante o interrogatório, Deyvidson afirmou que não sabia que a carga estava fora das dimensões autorizadas. Ele também disse que trafegava a aproximadamente 85 km/h e que a colisão aconteceu de forma acidental.

Inicialmente, o caminhoneiro foi indiciado por homicídio culposo e lesão corporal culposa, crimes que ocorrem quando não há intenção de matar ou ferir, mas a pessoa provoca o resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Agora, o Ministério Público defende uma classificação diferente: o homicídio doloso por dolo eventual.

A acusação entende que a pessoa não necessariamente queria matar alguém, mas sabia que sua conduta poderia provocar uma morte e, mesmo assim, decidiu seguir em frente, assumindo esse risco. Se a Justiça aceitar a tese, o caso será levado ao Tribunal do Júri.

O caminhoneiro segue preso preventivamente. A defesa ainda não se manifestou publicamente sobre o novo pedido do MPSP. O caso segue em análise pela Justiça de Bragança Paulista.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/caminhoneiro-pode-responder-por-homicidio-doloso-apos-queda-de-passarela

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