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São Paulo

Policial reformado é denunciado por ligação com PCC e tinha R$ 1,18 milhão em casa

Terceiro-sargento da reserva da PM de São Paulo é acusado de integrar esquema de segurança e financeiro para empresas ligadas ao PCC. Quantia em dinheiro vivo foi apreendida em fevereiro.

Policia Militar de São Paulo PMSP PM SP durante policimento na capital paulista. Policial dirige viatura. CrimesFoto: Fábio Vieira/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
28 de agosto de 202621:23
Atualizado agora há pouco às 00:23

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou quatro policiais militares por suposta participação em um esquema de segurança particular para dirigentes de empresas investigadas por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os denunciados está um terceiro-sargento reformado que, segundo a acusação, guardava R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo dentro de uma mala na própria residência.

A quantia foi localizada em 4 de fevereiro deste ano, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. De acordo com a denúncia, o valor estava dividido em R$ 700 mil em notas de R$ 200 e R$ 480 mil em notas de R$ 100. O dinheiro foi apreendido e encontra-se depositado judicialmente.

O policial ingressou na PM em 1992 e passou à inatividade em julho de 2020. Segundo o MPSP, mesmo após deixar a corporação, ele teria continuado ligado ao grupo e exercido função relacionada ao transporte e à movimentação de dinheiro.

A denúncia aponta que o terceiro-sargento não atuava apenas na segurança dos empresários, mas também seria responsável por transportar, guardar e distribuir valores do esquema. Em depoimento, o próprio policial teria admitido que fazia o chamado “bordo”, levando dinheiro entre garagens da Transwolff e a região da Berrini, onde o montante seria entregue a um carro-forte.

O Ministério Público afirma ainda que ele repassava aos responsáveis pelo esquema os nomes dos policiais que trabalhavam em cada dia, para que os pagamentos fossem feitos. Mensagens e ordens para que o policial buscasse dinheiro e realizasse pagamentos também são citadas na acusação.

Para a acusação, essas atividades demonstram que o investigado teria uma função dentro da estrutura financeira do grupo, e não apenas na prestação de segurança. O caso agora será analisado pela Justiça Militar, que decidirá sobre o pedido de prisão dos denunciados.

Além do terceiro-sargento, foram denunciados um tenente-coronel, um capitão e um segundo-sargento, todos com ligação com a ROTA. Eles teriam feito a segurança dos empresários em escalas organizadas e também recrutado outros policiais para participar dos serviços.

O contrato de segurança teria começado com pagamentos mensais de R$ 30.905 e chegado a R$ 44.639,10 em janeiro de 2025, um aumento de cerca de 44% mesmo depois da Operação Fim da Linha, que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo as empresas Transwolff e UPBUS.

A reportagem tenta contato com a defesa dos policiais denunciados e com as empresas citadas para comentar o assunto. O espaço segue aberto para manifestações.

O MPSP não informou o andamento processual nem a data do julgamento do pedido de prisão. A Justiça Militar de São Paulo também não se pronunciou até o momento.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pm-denunciado-pelo-mpsp-por-elo-com-pcc-guardava-r-118-milhao-em-mala

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