O Tribunal do Júri da capital paulista analisa, a partir desta segunda-feira (31/8), o caso do empresário Leonardo Souza Ceschini, de 34 anos, acusado de matar a esposa, Érica Fernandes Alves, a facadas, em janeiro de 2021. A sessão está marcada para as 12h30 no Foro Central Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
De acordo com a denúncia, o crime ocorreu na madrugada de 30 de janeiro de 2021, no apartamento do casal, localizado na zona norte da cidade. A discussão teria começado após a vitória do Palmeiras sobre o Santos na final da Copa Libertadores da América de 2020, disputada no dia anterior.
A briga teria começado por causa do resultado do jogo de futebol, segundo o réu. Vizinhos acionaram a Polícia Militar após ouvirem os gritos. Quando os agentes chegaram, encontraram Érica caída na cozinha, com ferimentos de faca. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
Ceschini também apresentava ferimentos e foi levado ao Hospital do Mandaqui, onde recebeu atendimento. Em seu depoimento, ele afirmou que a esposa o atacou primeiro com a faca e que, durante a luta corporal, ele conseguiu desarmá-la e a golpeou. A versão será confrontada com as provas colhidas durante o inquérito.
O empresário foi preso em flagrante ainda no hospital, mas respondia em liberdade desde fevereiro de 2021, após a Justiça aceitar o argumento da defesa de que o Ministério Público estadual teria demorado para se manifestar no caso.
A acusação é de homicídio doloso qualificado por feminicídio, motivo fútil e meio cruel. O termo feminicídio é aplicado quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo à condição de mulher. As qualificadoras aumentam a pena se o réu for condenado.
O casal tinha dois filhos gêmeos, que na época do crime tinham cerca de 2 anos e estavam no mesmo apartamento. As crianças atualmente estão sob a guarda da avó materna. O caso gerou comoção e reacendeu o debate sobre violência doméstica no estado.
Durante o julgamento, estão previstos os depoimentos de nove testemunhas, além do interrogatório do réu. A expectativa é de que a sessão se estenda por várias horas. O Metrópoles entrou em contato com as defesas de ambas as partes, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
O desfecho do júri pode levar a uma pena que varia de 12 a 30 anos de reclusão, conforme a legislação brasileira para homicídio qualificado. O caso é acompanhado por entidades de defesa dos direitos das mulheres, que pedem celeridade na Justiça.
A condenação por feminicídio, no entanto, depende da análise das provas e da tese sustentada pela acusação. O réu nega a intenção de matar e alega legítima defesa. A decisão caberá aos jurados, que votam de forma secreta.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/corintiano-que-matou-esposa-palmeirense-apos-libertadores-vai-a-juri-hoje

