O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (31/8), e usou o espaço para rebater a comparação entre as investigações que envolvem o filho do presidente Lula, Lulinha, e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Para o ex-ministro da Fazenda, trata-se de uma «falsa simetria».
Haddad argumentou que Flávio Bolsonaro acumula uma série de questionamentos não esclarecidos, como o caso das «rachadinhas», a lavagem de dinheiro em uma loja de chocolates, a compra de um imóvel no Lago Sul, em Brasília, e os vínculos com milicianos. «Nós temos um candidato a presidente que não consegue explicar a rachadinha, não consegue explicar a lavagem de dinheiro na loja de chocolate, não consegue explicar o preço da mansão que comprou no Lago Sul, não consegue explicar a homenagem que fez a um miliciano que foi assassinado numa operação da Polícia Militar da Bahia, não consegue explicar os vínculos com a milícia do Rio de Janeiro, não consegue explicar nada», disse.
Em contrapartida, o petista afirmou que Lulinha «não mexe um dedo para favorecer quem quer que seja» e que determinou que todos os fatos sejam investigados. Ele pediu que não se coloque «no mesmo patamar coisas tão diferentes» e evitou citar diretamente o nome do senador.
Durante a sabatina, Haddad também defendeu uma atuação independente da Polícia Federal no inquérito que apura indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha. O candidato negou ter tido qualquer reunião com Roberta Luchsinger, ex-mulher do presidente do PL, e destacou a importância da cooperação entre a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo na Operação Carbono Oculto, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação no setor de combustíveis.
Haddad afirmou que a colaboração entre órgãos «não pode ser exceção, ela tem que ser a regra» e defendeu a criação de um gabinete integrado entre as polícias estadual e federal para enfrentar organizações criminosas. A proposta, segundo ele, seria uma forma de dar mais eficiência ao combate ao crime organizado em São Paulo.
O ex-prefeito da capital paulista também minimizou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Para ele, essa é uma «questão menor» e o mais importante é definir a estratégia de enfrentamento. «Terrorismo, pra mim, tem uma ideologia por trás, não é uma máfia, não é uma facção que está buscando dinheiro e se infiltrar em negócios legítimos para lavar esse dinheiro que é roubado de outras áreas», argumentou.
Na área econômica, Haddad defendeu a meta fiscal do governo federal para 2027 e classificou as apostas de quota fixa, conhecidas como bets, como um problema de saúde pública. O candidato também comentou a possibilidade de sucessão dentro do PT após o atual mandato do presidente Lula, mas não deu detalhes sobre eventuais nomes.
A entrevista ocorreu em um momento de acirramento da disputa pelo governo paulista. O atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, foi convidado para o mesmo programa, mas recusou alegando incompatibilidade de agenda. A ausência de Tarcísio abriu espaço para Haddad apresentar suas propostas sem contraponto direto.
Com tom de campanha, Haddad procurou reforçar sua experiência administrativa e seu papel como ex-ministro da Fazenda, tentando se apresentar como a principal alternativa ao atual governo estadual. O programa foi ao ar com plateia e mediadores, e o candidato respondeu a perguntas sobre segurança, economia e gestão pública.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/lula-flavio-e-pcc-haddad-nacionaliza-debate-em-sabatina-do-roda-viva

