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São Paulo

Taxistas paulistanos pedem que passageiros evitem usar celular durante corridas

Diante do aumento de roubos de celulares, motoristas de táxi em São Paulo fazem apelo aos clientes para que guardem os aparelhos durante as viagens.

Imagens mostram táxis em Congonhas; taxistasFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
31 de agosto de 202603:04
Atualizado agora há pouco às 06:04

Diante do crescimento de ocorrências envolvendo roubo de celulares, taxistas que atuam na cidade de São Paulo têm feito um apelo insistente aos passageiros: evitem manusear o aparelho durante o trajeto. O pedido, que antes era apenas uma recomendação, tornou-se uma medida de proteção diante da ação de criminosos especializados em quebrar vidros de veículos para levar os dispositivos.

O receio é compartilhado por motoristas de táxi e também por condutores de aplicativos, que se veem obrigados a criar algum tipo de atrito com os clientes para evitar prejuízos. A orientação é clara: enquanto o veículo estiver em movimento, o celular deve permanecer guardado.

A prática de usar o táxi para adiantar tarefas e responder mensagens se tornou comum, especialmente em um momento em que o aparelho é extensão do trabalho. No entanto, o risco de ter o objeto levado por bandidos é real e tem gerado transtornos financeiros e emocionais para quem depende do volante para sobreviver.

A taxista Luciana Malheiros, por exemplo, perdeu dois vidros em um ano por causa da ação de ladrões. Em uma das ocasiões, ela chegou a alertar a passageira sobre o perigo, mas não houve tempo de evitar o ataque. «Disse para a mocinha desligar o celular, ela falou que estava desligando, mas não deu nem tempo», conta.

O prejuízo vai além do susto. Somente a troca do vidro custou quase R$ 500 para Luciana. «A seguradora dá o vidro, mas demora sete dias. Você acaba comprando do próprio bolso para não ficar parada», explica.

O taxista Luiz Evandro, que há 24 anos dirige pelas ruas paulistanas, também foi vítima. Ele estima um prejuízo de cerca de R$ 1.000, incluindo o valor do vidro e os dias sem poder trabalhar. «Quebraram o vidro no sábado à noite, faltando duas horas para eu terminar o trabalho. No domingo, iria trabalhar para compensar um dia. Na segunda, não trabalhei. Só na terça à tarde fui trabalhar», relata.

Apesar dos pedidos enfáticos, muitos passageiros insistem em usar o aparelho durante a corrida. Segundo Luiz, a justificativa é sempre a mesma: «Eu sei, mas eu preciso trabalhar».

O taxista Custódio Caetano Pinto, de 67 anos, suspeita que um limpador de vidros foi o responsável por quebrar o vidro traseiro de seu carro e levar o celular de um passageiro. «Deu o golpe certinho. Foi na mão do senhor de idade», afirma. Com 26 anos de profissão, ele recomenda que os clientes evitem o uso do celular, principalmente em regiões periféricas ou consideradas de risco.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que não possui dados específicos sobre roubos de celulares envolvendo taxistas. No primeiro semestre deste ano, os roubos de celulares na capital paulista caíram 14,8% em comparação ao mesmo período de 2025.

Especialistas orientam que, além de guardar o aparelho, passageiros evitem exibir objetos de valor e fiquem atentos ao ambiente ao redor antes de entrar no veículo. A recomendação é válida tanto para táxis quanto para carros de aplicativo.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/medo-de-ladrao-taxistas-imploram-para-passageiro-guardar-celular-no-carro

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