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São Paulo

Salles afirma que frase sobre 'passar a boiada' buscava reduzir burocracia

Em entrevista ao Metrópoles, ex-ministro do Meio Ambiente e candidato ao Senado minimizou a declaração dada em reunião ministerial em 2020.

Foto: Malu Lopes/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
1 de setembro de 202602:05
Atualizado agora há pouco às 05:05

O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo), candidato ao Senado por São Paulo, voltou a comentar a declaração que marcou sua passagem pelo governo federal. Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou que a expressão «passar a boiada», dita em reunião ministerial em abril de 2020, tinha o objetivo de defender a redução de entraves administrativos no país.

Na ocasião, Salles ocupava a pasta durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e sugeriu aproveitar o foco da imprensa na pandemia de Covid-19 para avançar com alterações em regras ambientais. Agora, ele diz que a fala foi mal interpretada. «O Brasil é o inferno do empreendedor, é o país que torna a vida de todo mundo uma verdadeira via cruzes quando se trata de licenças, de autorizações, regras absurdas, tributação absurda e foi isso que eu disse naquela reunião e continuo dizendo», argumentou.

Segundo o ex-ministro, a proposta era de modernização. «Nós temos que desburocratizar regras contraditórias no Brasil, não só no meio ambiente, mas em todas as matérias, tornar o empreendedorismo, o investimento, coisa que possa ser feita com menos óbices formais», afirmou.

A declaração original, ocorrida em 22 de abril de 2020, gerou repercussão negativa e foi associada a um possível aumento do desmatamento na Amazônia. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a área sob alerta passou de 7,5 mil km² em 2018 para mais de 10 mil km² em 2019 e chegou a 13 mil km² em 2021.

No período em que Marina Silva (Rede), atual adversária de Salles na disputa pelo Senado, esteve à frente do ministério, entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas de desmatamento somaram 2,8 mil km², uma queda de 36% em relação ao ciclo anterior. O resultado é o menor da série histórica iniciada em 2016.

Salles, no entanto, minimizou os números e criticou a gestão da adversária. «O discurso da Marina é muito bonitinho na história do desmatamento e mudança climática, mas o saneamento básico, que é o principal problema ambiental brasileiro, ela não dá a menor bola», disse.

O ex-ministro é réu na Justiça sob a acusação de facilitar o contrabando de madeira ilegal extraída da Amazônia. Ele nega as acusações e afirma que as investigações não encontraram irregularidades. «A história de desmonte ambiental foi escrutinada no detalhe pelo Judiciário e foi concluída. Não houve desmonte ambiental nenhum, era tudo mentira», declarou.

Salles acrescentou que as narrativas negativas sobre sua gestão foram influenciadas pelo contexto político conturbado do período. «Infelizmente, no meio daquela confusão que o Brasil vivia, que a imprensa, muitos segmentos da sociedade estavam contra o governo Bolsonaro, as narrativas acabaram prevalecendo», concluiu.

Salles justifica expressão “passar a boiada”: “Ideia era desburocratizar” - destaque galeria
Salles justifica expressão “passar a boiada”: “Ideia era desburocratizar” - destaque galeria

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/salles-justifica-passar-a-boiada

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