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São Paulo

Divisão do fundo eleitoral gera conflito interno e ameaça candidaturas no PDT paulista

Candidatos a deputado federal pelo PDT-SP reclamam de desigualdade na distribuição de recursos e falta de estrutura para campanha.

Briga por Fundo Eleitoral no PDT-SPFoto: Gui Prímola/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
4 de setembro de 202602:50
Atualizado agora há pouco às 05:50

A distribuição do Fundo Eleitoral no PDT de São Paulo provocou um racha interno. Candidatos a deputado federal pelo estado relatam que a legenda não cumpriu promessas de apoio financeiro e deixou vários postulantes sem condições de estruturar suas campanhas para as eleições de outubro.

No cenário nacional, o PDT conta com R$ 169,3 milhões para dividir entre seus candidatos. Entretanto, em São Paulo, a disparidade nos repasses gerou revolta. Enquanto alguns receberam valores entre R$ 100 mil e R$ 400 mil, outros afirmam ter ficado com apenas R$ 10 mil ou até menos, o que consideram insuficiente até para despesas básicas.

Mensagens obtidas pelo Metrópoles, trocadas entre os dias 1º de agosto e 3 de setembro em um grupo de WhatsApp chamado Deputados Federais PDT São Paulo, mostram o descontentamento. Os candidatos usam termos como «chacota», «constrangimento», «injustiça» e «vergonha» para descrever a situação.

Em uma das conversas, um postulante afirma que o valor repassado a alguns colegas é uma «esmola». «Candidatos pegaram R$ 400 mil e outro pega R$ 10 mil, R$ 15 mil. Gente, o estadual pegou R$ 2,6 mil, aí também é brincadeira, não dá nem para pagar o advogado», reclamou um dos integrantes.

A falta de materiais de divulgação, como panfletos e bandeiras, também é alvo de críticas. Alguns participantes chegaram a cogitar abandonar a disputa ou até deixar a legenda. «Vontade é sair, abandonar o partido e tomar outras providências. Como que a gente vai ficar nessa situação? Continuar com essa palhaçada que tá? Porque tá uma palhaçada isso pra mim. Chega, já deu», desabafou um candidato.

Outro ponto levantado é a suposta prioridade dada a postulantes com grande número de seguidores nas redes sociais. «Candidatos que são youtubers, candidatos que são influencers, estão ganhando mais de R$ 50 mil. Com todo o respeito, eu não me sinto diferente, nem pior do que eles, para receber só 10 mil reais», destacou uma das mensagens.

Há ainda quem critique a postura do partido em relação a candidaturas de grupos historicamente sub-representados. Um dos participantes afirmou que o PDT, por ser de centro-esquerda, deveria «olhar para os minorizados». «Eu entendo a indignação de todo mundo aqui, porque, para sair como candidato, a gente faz uma série de esforços. O partido não manda o recurso e não manda material suficiente, então, se torna tudo mais difícil do que deveria ser», queixou-se.

Procurado, o diretório estadual do PDT-SP negou que tenham sido feitas promessas de valores individuais. Em nota, o partido afirmou que a gestão dos recursos é feita com «responsabilidade e critérios definidos coletivamente». A legenda também disse que busca apoiar todos os candidatos dentro das possibilidades orçamentárias.

O clima de insatisfação ocorre em meio à preparação para o pleito, quando os partidos definem estratégias para eleger o maior número possível de representantes. A disputa interna no PDT paulista evidencia os desafios da distribuição de verbas públicas em um cenário de recursos limitados e muitas candidaturas.

Até a publicação desta matéria, nenhum candidato havia oficializado desistência, mas a movimentação nos bastidores indica que o partido precisará administrar o desgaste para evitar baixas de última hora.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/divisao-fundo-eleitoral-guerra-pdt

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