O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino solicitou à Polícia Civil de São Paulo informações sobre a investigação que apura suposto esquema de fraude em licitação envolvendo a empresária Karina Gama, dona da produtora responsável pelo filme Dark Horse. O pedido foi feito antes de o ministro autorizar a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (10/9), que cumpre 49 mandados de busca e apreensão em endereços ligados à produtora e a pessoas investigadas por desvios de emendas parlamentares.
Segundo apuração, os dados solicitados pela PF foram enviados pela Polícia Civil paulista em 26 de agosto, após determinação de Dino. No mês anterior, o ministro já havia autorizado a Polícia Federal a investigar repasses de emendas parlamentares a empresas vinculadas à produtora do longa. A investigação em São Paulo apura um contrato de fornecimento de Wi-Fi firmado entre a Prefeitura da capital e uma organização social ligada à empresária.
A apuração estadual teve origem na Operação Wifi-Livre, deflagrada em junho, que identificou indícios de pagamento 230% acima do valor de mercado para que o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade presidida por Karina Gama, instalasse pontos de acesso em comunidades da capital. A empresária também é dona da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, e da Academia Nacional de Cultura (ANC), igualmente alvo de mandados da PF nesta quinta.
De acordo com as autoridades paulistas, o chamamento público para o serviço de Wi-Fi contou com a participação exclusiva do ICB, entidade sem experiência no setor de telecomunicações e com atuação anterior restrita a feiras de livros e eventos religiosos. Enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o contrato com o ICB estabeleceu o pagamento fixo de R$ 1.800 por ponto, valor considerado injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.
A investigação aponta ainda que a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para justificar o atraso, teriam sido celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias. Além disso, a administração municipal teria antecipado R$ 26 milhões sem a devida contraprestação, com repasses referentes a 3.200 pontos quando, na realidade, apenas seis estariam em funcionamento no período.
A produtora Go Up Entertainment e o filme Dark Horse entraram no radar da Polícia Federal e do STF após a revelação de que receberam aportes de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso desde março por suspeita de fraude financeira. O caso também envolve o deputado federal Mário Frias, investigado por suposto desvio de emendas parlamentares destinadas a empresas ligadas à produtora.
Procurada, a Prefeitura de São Paulo não se manifestou até a publicação desta reportagem. A defesa de Karina Gama informou que não iria se pronunciar sobre o caso. O ministro Flávio Dino é o relator da investigação no STF, que apura o repasse de recursos públicos a empresas vinculadas à produtora do filme.
A Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira, cumpre mandados em São Paulo e em outros estados. As suspeitas envolvem desvio de emendas parlamentares, fraude em licitação e lavagem de dinheiro. As investigações seguem em sigilo.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/dark-horse-dino-pf-investigacao-sp

