A Justiça de São Paulo determinou que o fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro seja julgado pelo Tribunal do Júri pela tentativa de feminicídio contra a médica Samira Khouri, com quem mantinha relacionamento. A decisão foi assinada pela juíza Luiza Torggler Silva e publicada na última terça-feira (8).
O caso ocorreu em um apartamento na Avenida Pavão, no bairro de Moema, zona sul da capital paulista. O imóvel funcionava como locação por temporada. Pedro está preso desde julho de 2025.
Na sentença de pronúncia, a magistrada apontou que o acusado agiu com intenção de matar, por motivo fútil, mediante meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima. A juíza também manteve a prisão preventiva do réu, considerando a gravidade dos fatos e a insuficiência de medidas cautelares alternativas.
O documento judicial destaca que Samira foi agredida mesmo depois de perder a consciência e que os golpes se concentraram em regiões vitais, como cabeça e pescoço. Pedro teria deixado o local sem prestar socorro. Laudos e prontuários médicos foram citados como comprovação da materialidade do crime e indícios de autoria.
A defesa do fisiculturista havia solicitado a realização de exame de insanidade mental, pedido rejeitado novamente pela Justiça. Em maio deste ano, o tribunal já havia afastado a tese de que o uso de anabolizantes, medicamentos controlados e um quadro de bulimia poderiam ter comprometido a capacidade psíquica do acusado.
Em nota, a advogada Gabriela Manssur, que representa Samira Khouri, afirmou que a decisão representa um estímulo para que mulheres confiem no sistema de Justiça. «Nenhuma mulher deveria precisar sobreviver para provar que poderia ter morrido. É por isso que cada denúncia importa, cada resposta do sistema de Justiça importa e cada responsabilização importa», declarou. «Que essa decisão sirva para que outras mulheres saibam: vocês devem denunciar, devem buscar ajuda.»
Procurada, a defesa de Pedro Camilo Garcia Castro, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, informou que avalia a possibilidade de recorrer da decisão. O espaço permanece aberto para manifestações.
Imagens de câmeras de segurança do prédio mostraram o fisiculturista entrando e saindo do apartamento no dia do crime. As gravações também registraram o momento em que ele deixa o edifício.
No despacho que converteu a prisão em flagrante para preventiva, o juiz Vinicius de Toledo Piza Peluso classificou a conduta como praticada com «violência exacerbada e brutalidade incomum». A decisão de pronúncia reforça que o caso será levado a julgamento pelo júri popular, sem data definida até o momento.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fisiculturista-espancar-namorada-juri

