O tenente da Polícia Militar Ronald Camacho, que participou da abordagem violenta a uma apoiadora do PSol no último dia 8 de setembro, é o mesmo agente que, em novembro do ano passado, entrou na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Antônio Bento, na zona oeste de São Paulo, para intimidar a direção após uma criança desenhar a orixá Iansã durante uma atividade escolar.
A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles e reacende o debate sobre a conduta de agentes de segurança pública em ações que envolvem questões políticas e religiosas. O caso da escola ganhou repercussão nacional à época, quando a comunidade escolar se mobilizou em defesa da liberdade de expressão e do respeito à diversidade religiosa.
De acordo com o relato da vítima, uma mulher de 33 anos, ela foi abordada por policiais enquanto distribuía panfletos da Bancada Feminista do PSol e do candidato a deputado federal Guilherme Cortez, em frente à estação de metrô Vila Sônia, na zona oeste da capital. A ação é permitida pela legislação eleitoral.
Em um vídeo gravado por uma testemunha, é possível ver a mulher sendo imobilizada, com o rosto no chão, algemada por três policiais enquanto outros agentes faziam a segurança da abordagem. Após a ação, ela foi levada ao 89º Distrito Policial, no Jardim Taboão, e liberada em seguida. O material de campanha foi apreendido.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais participavam de uma Operação Delegada, voltada à fiscalização de ambulantes e comércio ilegal, e a mulher teria desobedecido a uma ordem dos agentes. O mandato da Bancada Feminista nega a versão policial e afirma que a apoiadora já realizava panfletagem naquele local há tempos. A mulher não quis se pronunciar por questões de segurança.
O histórico do tenente Ronald Camacho inclui outras ocorrências polêmicas. Em 2022, ele teria sido o responsável por matar um suspeito durante agenda do então candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em Paraisópolis, na zona sul da capital. O inquérito sobre esse caso foi arquivado após pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que alegou legítima defesa.
Já em 2024, o mesmo policial participou de uma ação no mesmo bairro que resultou em ferimentos a uma criança negra de sete anos. Esses episódios reforçam a controvérsia em torno da atuação do tenente, que agora é alvo de questionamentos sobre a abordagem à apoiadora do PSol.
A Polícia Militar informou que apura o caso da abordagem à apoiadora. Questionada sobre procedimentos apuratórios contra o tenente, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que «em relação às ocorrências anteriores envolvendo o policial citado, as providências cabíveis foram adotadas à época dos fatos pelas polícias Civil e Militar». A pasta não detalhou se há novas investigações em andamento.
O caso levanta discussões sobre o uso da força em abordagens policiais e sobre a atuação de agentes com histórico de ações violentas. Entidades de direitos humanos e partidos políticos têm cobrado transparência nas apurações e a responsabilização dos envolvidos.
A reportagem procurou o tenente Ronald Camacho e a corporação para comentar as acusações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pm-intimidou-orixa-abordagem-psol

