A Prefeitura de São Paulo mantém aberto um inquérito administrativo para apurar eventual enriquecimento ilícito da servidora Viviane Rodrigues de Palma, responsável pelo documento que atestava a demolição do prédio que desabou na Penha, zona leste da capital, e causou a morte de seis pessoas. A investigação corre sob sigilo na Corregedoria Geral do Município (CGM).
De acordo com a CGM, o procedimento foi instaurado em maio do ano passado, com origem em uma sindicância patrimonial iniciada em 2020. O órgão informou que a servidora foi interrogada, a defesa apresentou manifestação e o processo segue em andamento, sem comentar o mérito das alegações.
Em 2022, Viviane chegou a ser suspensa por 15 dias do cargo que ocupava na Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano da Subprefeitura Penha. Ela também foi afastada das atividades por 120 dias após o desabamento.
Publicação no Diário Oficial do município, de outubro de 2025, apontou que a defesa da fiscal foi intimada a se manifestar. O texto destacava que, constatada inconsistência patrimonial, cabe à indiciada comprovar a licitude de bens e movimentações financeiras durante a instrução do inquérito.
Procurada, a advogada de Viviane Rodrigues de Palma não retornou até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
Na esfera policial, a Polícia Civil de São Paulo informou, em coletiva na terça-feira, que quatro pessoas podem ser indiciadas por homicídio com dolo eventual em razão do desabamento. Três delas são sócias da construtora responsável pela obra e tiveram mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça.
A Controladoria Geral do Município determinou o embargo de todas as obras em andamento na capital das construtoras New Home e Hastiforme, além da suspensão de pedidos de alvará ainda em análise.
Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da New Home, foi preso temporariamente no domingo. Cristiano Vivacqua, filho dele e responsável técnico pela obra, e Ísis Brandão, proprietária formal da empresa, seguem foragidos.
Viviane, que assinou o documento atestando que o prédio havia sido demolido em 2024, também pode ser indiciada. Ela foi ouvida pela polícia na terça-feira.
O caso envolve a regularização do imóvel e a emissão de documentos públicos, tema que reacende o debate sobre fiscalização urbana e responsabilidade de agentes municipais. As investigações prosseguem em paralelo nas esferas administrativa e criminal.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/servidora-que-atestou-predio-demolido-e-inquirida-por-enriquecimento-ilegal

