UrgenteChuvas de setembro elevam reservatórios da Grande SP em 208 bilhões de litros
← Voltar

Grande São Paulo

Chuvas de setembro elevam reservatórios da Grande SP em 208 bilhões de litros

Sistema Integrado Metropolitano atinge 1,05 trilhão de litros e Cantareira se aproxima de sair da faixa de alerta; especialistas alertam para evaporação com a chegada do calor.

Imagem aérea da Represa de GuarapirangaFoto: Reprodução/Alesp
Raphael Nogueira Felix
18 de setembro de 202603:05
Atualizado agora há pouco às 06:05

As chuvas atípicas de setembro provocaram um aumento expressivo no volume de água armazenado nos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) ganhou 208 bilhões de litros entre o início do mês e a última quinta-feira (17), superando a capacidade de uma represa como a Guarapiranga, que comporta 171 bilhões de litros.

No começo de setembro, o conjunto de represas contabilizava 843 bilhões de litros. Com a contribuição das chuvas, o volume subiu para 1,05 trilhão de litros em 17 de setembro. Apenas para efeito de comparação, a economia gerada pela redução de pressão noturna ao longo de um ano foi de cerca de 193 bilhões de litros, segundo dados do setor.

A gestão de demanda noturna, que reduz a pressão na rede entre 21h e 5h, tem sido alvo de críticas de moradores, mas representa uma economia significativa. Atualmente, o SIM recebe 239 mil litros por segundo, volume suficiente para encher uma piscina olímpica em pouco mais de 10 segundos.

O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região, também registrou recuperação. Setembro já é o mês mais chuvoso no Cantareira desde dezembro de 2024, superando inclusive os meses do último verão. Até quinta-feira, o sistema acumulou 257,2 mm de chuva, quase o triplo da média histórica para o mês.

Com isso, a vazão natural do Cantareira tem sido de aproximadamente 66 mil litros por segundo, em média, desde o início do mês. Esse aporte elevou o volume útil do sistema para 39,9%, próximo de deixar a faixa de alerta, que vai de 30% a 40%. Caso a recuperação continue, é provável que o Cantareira retorne à faixa de atenção (entre 40% e 60%).

Na prática, essa mudança permitiria à Sabesp captar até 31 mil litros por segundo (31 m³/s), acima do limite atual de 27 mil litros por segundo. A medida representaria mais flexibilidade na operação do sistema, que vinha operando com restrições.

Apesar do cenário positivo, especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alertam para os desafios futuros. As temperaturas devem se elevar principalmente a partir de janeiro, o que pode aumentar a perda de água por evaporação.

«Na média, o valor é mais ou menos constante de chuvas, só que tem esse volume a mais agora, então dá a sensação de que [o sistema] vai se recuperar. Até pode recuperar os valores, mas depois tem que ficar em atenção no próximo ano, nos próximos meses», afirmou um dos especialistas ouvidos.

O avanço do El Niño também exige monitoramento contínuo. O fenômeno climático pode alterar o padrão de chuvas na região Sudeste, trazendo incertezas para o abastecimento ao longo de 2026. As autoridades reforçam a importância do uso consciente da água, mesmo com a melhora nos reservatórios.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/grande-sp-ganha-mais-que-uma-guarapiranga-com-chuvas-historicas-de-setembro

chuvasreservatóriosCantareiraabastecimentoGrande São PauloSabespEl Niñoia-auto