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São Paulo

Justiça revoga prisão preventiva de delegada suspeita de vínculo com facção criminosa em SP

Layla Lima Ayub, da Polícia Civil de São Paulo, havia sido presa em janeiro durante operação contra o crime organizado; defesa diz que vai provar inocência.

A delegada recém-empossada em SP Layla Lima AyubFoto: Reprodução/Instagram
Raphael Nogueira Felix
22 de setembro de 202621:30
Atualizado agora há pouco às 00:30

A Justiça revogou a prisão preventiva da delegada Layla Lima Ayub, da Polícia Civil de São Paulo, que estava detida desde janeiro sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação foi confirmada pela defesa da delegada e pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que informou que ela deixou o sistema prisional na última sexta-feira (18/9). O processo tramita em sigilo.

Layla havia sido presa durante a Operação Serpens, deflagrada em 16 de janeiro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e do Pará, em conjunto com a Corregedoria-Geral da Polícia Civil. Na mesma ocasião, também foi detido seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado como uma das lideranças da facção na região norte do país, com atuação destacada no Pará.

Segundo o Ministério Público, a delegada mantinha vínculo pessoal e profissional com integrantes da organização criminosa. A investigação aponta que ela teria exercido de forma irregular o papel de advogada em audiência de custódia para presos ligados a facções, mesmo após já ter tomado posse no cargo de delegada de polícia. O órgão também afirmou que o crime organizado tem buscado se infiltrar em carreiras públicas e estruturas do Estado.

«A Sra. Layla Lima Ayub e sua defesa receberam a notícia da revogação da ilegal prisão preventiva com tranquilidade e senso de justiça e, agora, passam a se concentrar em demonstrar a sua inocência na ação penal», declarou o advogado Renato Guimarães Carvalho, que representa a delegada. A defesa não deu outros detalhes sobre a estratégia processual.

Layla Lima Ayub tomou posse como delegada de polícia em São Paulo em 19 de dezembro de 2025 e, a partir de então, passou a frequentar a Academia de Polícia (Acadepol). No dia de sua formatura, ela compareceu ao evento acompanhada do namorado, apontado como membro do PCC. As autoridades classificaram a situação como audaciosa, uma vez que o homem estaria descumprindo condições da liberdade condicional.

Além disso, em 28 de dezembro, quando já havia assumido o cargo de delegada, Layla atuou como advogada de quatro presos do Comando Vermelho (CV) em uma audiência de custódia no Pará. Na ocasião, os detentos respondiam por tráfico de drogas e associação criminosa. A delegada e o namorado foram acusados de tráfico de drogas e associação criminosa.

O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, comentou o caso na época da operação. «Além da economia formal, o crime organizado tem se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido», afirmou.

Com a revogação da preventiva, Layla responderá ao processo em liberdade. A ação penal segue sob sigilo e não há prazo definido para conclusão. A defesa reafirma que a delegada é inocente e que pretende comprovar sua versão ao longo da instrução processual.

O caso reacende o debate sobre a infiltração de organizações criminosas em instituições públicas e a necessidade de mecanismos de controle interno. As autoridades destacam que as investigações continuam para apurar todas as circunstâncias eeventuais ramificações.

A reportagem procurou a Secretaria da Administração Penitenciária e a Polícia Civil para novos esclarecimentos, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/delegada-pcc-solta-justica

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