UrgenteEspecialista critica uso de fuzis por PMs em motos no combate a roubos em São Paulo
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São Paulo

Especialista critica uso de fuzis por PMs em motos no combate a roubos em São Paulo

Coronel da reserva José Vicente da Silva Filho considera a criação do Batalhão de Resposta Avançada Operacional (Bravo) uma medida arriscada e desproporcional para coibir furtos e roubos de celulares.

Imagem mostra PM em moto com fuzilFoto: Divulgação/SSP/Paulo Guereta
Raphael Nogueira Felix
28 de setembro de 202606:20
Atualizado há 11 horas às 09:20

A criação do Batalhão de Resposta Avançada Operacional (Bravo), que utiliza duplas de policiais militares em motocicletas portando fuzis para combater roubos e furtos de celulares na capital paulista, tem gerado controvérsia entre especialistas em segurança pública. O coronel da reserva da Polícia Militar José Vicente da Silva Filho classifica a iniciativa como «ingênua e perigosa».

Segundo o coronel, a proposta expõe os próprios agentes a um risco maior do que o enfrentado no patrulhamento convencional. «Não faria nunca um negócio desse. Você incrementa o risco que o policial já tem de policiar na rua», afirma. Ele argumenta que a combinação de motocicleta, garupa e fuzil compromete o equilíbrio e a capacidade de reação da dupla.

José Vicente destaca que o uso de fuzis no patrulhamento rotineiro é uma ideia equivocada, pois esse tipo de armamento é adequado apenas para equipes táticas em situações de alto risco previamente identificadas. Ele cita como exemplo as Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) e os Batalhões de Ações Especiais de Polícia (Baeps), que dispõem de armamento pesado para enfrentamentos específicos.

Para o especialista, a ostentação de força pode ter efeito contrário ao desejado. «Na verdade, as pesquisas que a gente tem, sou psicólogo também, estou finalizando um livro sobre psicologia aplicada à inteligência policial, é que quanto mais força você mostra, mais medo você causa», explica. Ele defende que a redução do medo da população não viria da exibição de armamento, mas de estratégias de inteligência e proximidade com a comunidade.

O coronel também critica a escolha do nome do batalhão, que considera uma construção artificial de marketing. «Primeiro, o nome é ridículo, né? Forçar uma construção de palavra para fazer um nome de marketing. A polícia precisa ter mais austeridade, sobriedade com essas coisas», diz.

Sobre a utilização da motocicleta, José Vicente reconhece que o veículo oferece agilidade no trânsito congestionado da cidade, mas aponta problemas quando usada em dupla. «Um garupa constante afeta o equilíbrio do homem e da máquina. Ele agarra o piloto pela cintura, acompanha o movimento e ajuda. O equilíbrio é precário», afirma. Ele acrescenta que o garupa ainda tem a função de fazer a visualização tática do ambiente, o que se torna difícil com o fuzil em mãos.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o fuzil é restrito a ocorrências de maior risco e que o efetivo passa por capacitação técnica de seis semanas. A pasta afirma que o batalhão integra inteligência e patrulhamento tático contra roubos e furtos.

A discussão ocorre em um momento de aumento da preocupação com a segurança pública na capital paulista, especialmente em relação aos crimes patrimoniais. Dados recentes mostram que os celulares estão entre os principais alvos de ladrões, o que tem levado as autoridades a buscar novas abordagens.

Especialistas ouvidos apontam que a eficácia de medidas como o Bravo depende de um equilíbrio entre tecnologia, inteligência e policiamento ostensivo, sem expor desnecessariamente os agentes e a população. O debate sobre o uso de armamento pesado em patrulhamento urbano segue aberto.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/especialista-diz-que-pms-em-moto-com-fuzis-e-proposta-ingenua-e-perigosa

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