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São Paulo

Investigação aponta elo entre policiais e facção em esquema de extorsão e lavagem de dinheiro em SP

Ministério Público de São Paulo investiga ligação de policiais civis e ex-policiais com o PCC; prisão de um funcionário revela depósitos que chegam a R$ 324 mil.

Policiais envolvidos em esquema com o PCC. Flávio Marcelo Coelho, com Maurício de Oliveira (esquerda) e Itamar Gomes da Silva (direita)Foto: Arte/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
29 de setembro de 202602:04
Atualizado agora há pouco às 05:04

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga um suposto esquema que envolveria policiais civis, ex-policiais e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) para a prática de extorsões e lavagem de dinheiro. A apuração, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ganhou novo desdobramento com a prisão de um homem apontado como operador financeiro do grupo.

Trata-se de Flávio Marcelo Coelho, de 51 anos, detido na segunda fase da Operação Infiltrados. Segundo as investigações, ele atuava como uma espécie de faz-tudo para o então chefe dos investigadores Maurício de Oliveira, preso em junho deste ano na primeira etapa da operação.

De acordo com documentos obtidos pela reportagem, Coelho não apenas prestava serviços pessoais a Oliveira, mas participava ativamente do esquema de extorsão e lavagem de dinheiro. Entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o investigador teria recebido 15 depósitos que somam meio milhão de reais.

Os valores chamam a atenção por superarem em cerca de sete vezes a média mensal do salário líquido de um policial civil, conforme dados do Portal da Transparência do Governo do Estado de São Paulo. Coelho teria sido o responsável por depositar R$ 324,2 mil na conta de Oliveira. Outros R$ 181,3 mil em transferências foram identificados, mas sem a identificação dos depositantes.

A investigação apura se o dinheiro era repassado em espécie diretamente pelo policial a Coelho. Os depósitos, segundo o MPSP, eram feitos em valores variados, mas sempre acima de dois dígitos.

Além da movimentação financeira, diálogos obtidos pelos promotores indicam que Coelho tinha a função de conseguir aparelhos celulares para serem usados por policiais em atividades ilegais, como extorsões. A operação também investiga o envolvimento de um ex-estagiário do MPSP e de um ex-policial civil, presos na primeira fase.

A primeira fase da Operação Infiltrados foi deflagrada em 9 de junho deste ano e resultou na prisão de três pessoas: o ex-estagiário Gabriel Lira de Jesus, o investigador Maurício Aparecido de Oliveira e o ex-policial civil Itamar Gomes da Silva. As detenções foram feitas por promotores do Gaeco e policiais militares do 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep).

Procurado, o MPSP informou que as investigações seguem em sigilo. A reportagem não localizou a defesa dos citados até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.

O caso expõe a preocupação das autoridades com a infiltração de agentes públicos em organizações criminosas e com a prática de extorsão e lavagem de dinheiro. As apurações buscam identificar todos os envolvidos e o destino dos recursos movimentados.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/prisao-de-funcionario-expoe-esquema-de-policiais-com-pcc-para-extorsoes

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