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Presidente Venceslau

Justiça aceita denúncia contra advogado por coação a juiz em audiência no interior de SP

Magistrado relata ter se sentido ameaçado durante defesa de ré suspeita de ligação com facção; advogado nega e diz que fala foi sobre destino espiritual.

Imagem colorida de advogado acusado de ameaçar juiz para revogar prisão de ré suspeita de ligação com o PCCFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
29 de setembro de 202612:10
Atualizado agora há pouco às 15:10

A Justiça de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, aceitou denúncia contra o advogado Marcos Roberto Cebola e Silva por coação no curso do processo. O caso se refere a uma audiência de instrução e julgamento realizada em outubro de 2025, quando o profissional atuava na defesa de uma mulher presa sob suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a denúncia, durante a audiência, o advogado pressionou o juiz Deyvison Heberth dos Reis pela revogação das prisões preventivas dos réus. Em determinado momento, afirmou: «Se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao Elísio». O magistrado interrompeu e questionou o significado da expressão.

Cebola explicou que se referia ao paraíso e argumentou que a postura do juiz diante das provas do processo deveria reconhecer a nulidade. O juiz, porém, rebateu dizendo que em quase 20 anos de carreira nunca havia ouvido algo parecido. «O senhor me dizer que se eu não revogar a preventiva, então eu sou candidato a morrer», reagiu Deyvison Heberth.

A ré defendida pelo advogado foi presa após tentar entrar em uma penitenciária com quatro cartões de memória escondidos na barra da calça. De acordo com a acusação, os dispositivos continham a contabilidade e o organograma de setores estratégicos da facção. O episódio integra a chamada Operação Scream Fake.

O caso motivou a instauração de inquérito pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para apurar possível coação no curso do processo. No dia 22 deste mês, o juiz Gabriel Medeiros, da 1ª Vara da cidade, assinou o recebimento da denúncia. O advogado agora responderá pelo crime de coação.

Procurado, Cebola afirmou em sua defesa que «todo mundo vai morrer um dia» e que a discussão era sobre o destino espiritual — paraíso ou inferno. Ele reiterou que o processo seria «extremamente teratológico» e que estaria sendo criado um «juiz de exceção». A reportagem tentou novo contato, mas não obteve resposta até a publicação.

Na decisão, o magistrado destacou que a denúncia e a adoção de medidas cautelares são necessárias para proteger a investigação, prevenir novas infrações e preservar a integridade da vítima. Entre as determinações, o advogado deve manter distância mínima de 200 metros do juiz e está proibido de contatá-lo.

O juiz também negou, ao menos neste momento, o pedido de fiança, por considerar suficientes e adequadas as medidas cautelares já fixadas. O advogado tem prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação.

O caso segue em tramitação na Justiça paulista e não há decisão final sobre o mérito da acusação. A defesa do advogado poderá apresentar argumentos e provas antes de eventual julgamento.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pcc-justica-aceita-denuncia-contra-advogado-suspeito-de-ameacar-juiz

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