A polêmica sobre publicações que associavam a Nossa Senhora Aparecida a um suposto plano para retirar seu título de Padroeira do Brasil chegou à disputa pelo governo de São Paulo. Os principais candidatos, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), se manifestaram sobre o assunto em agendas recentes na capital paulista.
O episódio começou na noite de quinta-feira (24/9), quando passaram a circular na internet alegações de que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) estaria por trás de uma articulação para alterar o título de Nossa Senhora Aparecida. A informação foi desmentida, mas o tema ganhou repercussão nacional e influenciou a campanha presidencial.
Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (28/9) mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve alta na intenção de voto entre católicos e evangélicos. No âmbito estadual, levantamento Datafolha apontou que, entre o eleitorado católico, Tarcísio aparece à frente de Haddad por 18 pontos, com 51% a 33%.
Durante agenda no centro de São Paulo, na segunda-feira (28/9), Tarcísio ergueu uma imagem de Nossa Senhora ao lado de Flávio Bolsonaro. A imagem foi entregue aos candidatos por uma pessoa que acompanhava o ato de campanha. O gesto foi interpretado como uma resposta às acusações que circulavam nas redes.
Flávio Bolsonaro recuou em relação às críticas que havia feito à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele havia dito que «gente de dentro da CNBB» teria ajudado a propagar a informação de que o senador retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Ainda que tenha participado de diversos cultos evangélicos durante a campanha, Tarcísio, que é católico, foi questionado por jornalistas no sábado (26/9) e reforçou que a tolerância religiosa é uma característica do Brasil que deve ser respeitada. «O Brasil é o país do sincretismo religioso, o Brasil é o país da tolerância, o Brasil é o país onde as religiões convivem no mesmo lar, convivem no mesmo território e nunca tivemos problema com relação a isso. (…) A tolerância é o caminho. O respeito é o caminho. Não tem outro caminho pro Brasil», afirmou.
Já Fernando Haddad comentou o assunto no domingo (27/8), durante discurso após participar de uma missa na Catedral da Sé em homenagem à Amelinha Teles, que morreu na semana passada. «Agora essa semana chegou no auge de todas as ofensas, até a mãe de Cristo não escapou do bolsonarismo no Brasil. É de uma indignidade, de um desrespeito, é nojento o que esses caras fazem com a fé das pessoas, com a dignidade das pessoas. Esses caras não merecem estar onde estão», declarou.
O sociólogo e ex-deputado Simão Pedro, que foi secretário de Haddad quando o petista foi prefeito da capital paulista, afirmou que o candidato é «rigorosíssimo nessa questão de separar a questão religiosa da disputa eleitoral». Segundo ele, a postura de Haddad tem sido de respeito à fé, sem explorar o tema politicamente.
A defesa de Flávio Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão que suspendeu ordens do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso. O assunto segue em tramitação e deve continuar influenciando o debate eleitoral nos próximos dias.
A polêmica envolvendo a padroeira do Brasil e a campanha presidencial também deve repercutir na disputa estadual, já que tanto Tarcísio quanto Haddad buscam dialogar com o eleitorado religioso. A expectativa é de que o tema volte a ser abordado em agendas e debates até a votação.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tarcisio-e-haddad-entram-na-guerra-santa-da-reta-final-das-eleicoes

