A Polícia Federal prendeu, na quarta-feira (30), em São Paulo, o chileno Hernán Marcelo Herrera Acevedo, de 58 anos, que responde a 17 condenações por estelionato no Chile. A prisão ocorre para dar continuidade ao processo de extradição do investigado ao país de origem.
Segundo as autoridades brasileiras, o chileno estava em prisão domiciliar humanitária, com uso de tornozeleira eletrônica, devido a complicações de saúde decorrentes de epilepsia e de um câncer retal. O tratamento foi realizado no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), em Santa Catarina, onde precisou ser internado para cirurgia e recuperação em 21 de agosto.
A transferência para o regime fechado foi motivada por questões logísticas e para garantir a segurança do processo de extradição, informou a Polícia Federal. A corporação efetuou o recolhimento do preso em São Paulo como parte da organização da transferência final ao Chile, que deve ocorrer nos próximos dias.
De acordo com as investigações, Hernán é acusado de liderar um esquema que captava investidores prometendo retornos falsos em empreendimentos imobiliários e hoteleiros. Os crimes teriam sido cometidos entre 2012 e 2020.
A localização do investigado no Brasil foi identificada em agosto do ano passado, quando o Ministério da Justiça detectou um processo de naturalização em andamento movido por ele. Em 21 de agosto de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão preventiva para fins de extradição, cumprida sete dias depois em Jurerê Internacional, em Florianópolis (SC).
O pedido de extradição foi julgado procedente pela Primeira Turma do STF em novembro do ano passado. Sete meses depois, em junho deste ano, o chileno ainda permanecia detido em solo brasileiro e apresentou complicações de saúde em decorrência da epilepsia e do câncer retal.
Com a saúde debilitada, ele conseguiu na Justiça o direito à prisão domiciliar humanitária, até precisar ser internado no Cepon para cirurgia e recuperação. Até a prisão desta quarta-feira, em grave estado de saúde, não havia possibilidade de extraditá-lo.
Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde dele. A Polícia Federal não detalhou como será feita a transferência ao Chile nem informou a data exata do embarque.
O caso tramita sob sigilo e envolve a cooperação entre autoridades brasileiras e chilenas. A defesa do investigado não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/cancer-atrasou-extradicao-chileno

