Lucas Pavanato, do Partido Liberal (PL), foi eleito deputado federal por São Paulo com mais de 2,7 milhões de votos, tornando-se o candidato mais votado do estado nas eleições deste ano. Aos 26 anos, ele já havia se destacado em 2024 ao ser o vereador mais votado da capital paulista, com 161.386 votos.
Conhecido por seu estilo provocador e por posicionamentos conservadores, Pavanato iniciou sua trajetória política como militante do Movimento Brasil Livre (MBL), organização da qual depois se afastou para se alinhar ao bolsonarismo. Ele cita como principais referências políticas o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-vereador Fernando Holiday e o deputado federal Nikolas Ferreira.
Em entrevista, o parlamentar eleito afirmou que sua votação expressiva reflete o avanço do conservadorismo na capital paulista. «A população paulistana deu o recado de que a cidade está virando mais para a direita, hoje ela é uma cidade mais conservadora», declarou. Ele ainda acrescentou que quem não gosta de seu posicionamento «vai ter que aceitar, porque a direita veio e veio para ficar».
Entre as principais bandeiras que pretende defender na Câmara dos Deputados estão a proibição de terapias hormonais de transição de gênero para menores de 18 anos, o fim das cotas raciais, de gênero e para a população trans, a redução da maioridade penal em crimes hediondos, a oposição ao aborto, a privatização de estatais e a restrição do uso de banheiros por pessoas trans conforme o sexo biológico.
Seu primeiro ato após assumir o mandato será articular a instalação de uma CPI para investigar organizações não governamentais que atendem moradores de rua em São Paulo. A proposta já vinha sendo defendida por ele durante a campanha.
Durante o pleito, Pavanato protagonizou uma rivalidade com a deputada federal reeleita Erika Hilton, do PSOL, que se tornou a mulher mais votada da história da Câmara. Nas redes sociais, o bolsonarista publicou vídeos com ataques à deputada, o que levou o caso à Justiça Eleitoral.
Erika Hilton questionou o conteúdo na Justiça, alegando que os vídeos apresentavam informações falsas ou descontextualizadas e configurariam violência política de gênero. Inicialmente, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a remoção das publicações, mas Pavanato recorreu e a maioria dos magistrados entendeu que o material não continha falsidade ou distorção grave suficiente para justificar a retirada do ar.
Apesar das semelhanças com o estilo de Nikolas Ferreira, Pavanato rejeita o apelido de «Nikolas de São Paulo». Ele afirma manter uma relação de amizade e compartilhar princípios com o colega de partido, mas insiste que possui personalidade própria e uma maneira distinta de fazer política.
A votação de Pavanato ocorre em um cenário de fortalecimento de pautas conservadoras no estado, refletido também no desempenho de outros candidatos alinhados a esse campo político. O resultado das urnas indica uma capital cada vez mais inclinada à direita, segundo análise do próprio deputado eleito.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/quem-e-lucas-pavanato-o-deputado-federal-mais-votado-em-sao-paulo

