O deputado federal mais votado da história de São Paulo, Lucas Pavanato (PL), garantiu ao menos oito cadeiras para o PL na Câmara dos Deputados. Já Erika Hilton, segunda candidata mais votada no estado, assegurou quatro vagas para a federação formada por PSol e Rede. Os dois são exemplos de 'puxadores de votos', candidatos com votação expressiva que ajudam a eleger correligionários.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PL obteve cerca de 6,4 milhões de votos em São Paulo, conquistando 19 cadeiras e se tornando a bancada com maior número de deputados no estado. Sozinho, Pavanato recebeu aproximadamente 3 milhões de votos, o que representou mais de 40% do total de cadeiras do partido. Erika Hilton, com cerca de 1,5 milhão de votos, garantiu ao menos quatro das seis cadeiras vencidas pela federação PSol/Rede, que somou cerca de 3 milhões de votos.
O sistema proporcional, adotado para a Câmara dos Deputados, distribui as vagas com base em cálculos matemáticos. O eleitor vota em um candidato, mas o voto também contribui para o desempenho do partido ou federação. Assim, candidatos muito votados podem eleger colegas de legenda mesmo que estes tenham votação nominal inferior à de adversários de outros partidos.
O advogado eleitoralista Paulo Mello explicou ao Metrópoles como funciona a escolha: «Vou dar um exemplo usando o PSDB, que tem a sigla 45. Quando eu coloco os dígitos 4 e 5, eu estou falando: 'Eu voto no partido PSDB'. Quando eu coloco o restante dos números do candidato, quero dizer que, dentro do PSDB, prefiro que aquele candidato seja eleito. Mas estou votando no partido».
O cálculo depende de dois quocientes: o eleitoral e o partidário. O quociente eleitoral é obtido dividindo o total de votos válidos no estado pelo número de vagas em disputa. São Paulo registrou 23.674.188 votos válidos e tem direito a 70 cadeiras na Câmara, resultando em um quociente eleitoral de 338.203.
Além de o partido atingir esse quociente, o candidato precisa receber votação nominal mínima de 10% do valor do quociente eleitoral. Nas eleições de 2026, esse número é de 33.820 votos. Esse mecanismo explica por que alguns candidatos com votações individuais altas não se elegem, enquanto outros, com menos votos, conquistam vagas devido ao desempenho da legenda.
Oito nomes entre os mais votados, incluindo integrantes da federação Brasil da Esperança, ficaram de fora devido ao sistema de quocientes eleitorais. A distribuição final das cadeiras reflete não apenas a preferência do eleitor por nomes específicos, mas também a força das coligações e federações partidárias.
A eleição paulista para a Câmara dos Deputados evidenciou o peso dos chamados puxadores de votos. A votação expressiva de Pavanato e Erika Hilton alterou o panorama das bancadas, beneficiando diretamente 12 parlamentares que assumirão mandatos na próxima legislatura.
O sistema proporcional segue sendo tema de debates sobre representatividade e eficácia. Especialistas apontam que o modelo pode ampliar a influência de candidatos muito votados, mas também gera distorções entre votação nominal e cadeiras conquistadas.
Procurado, o TSE não se manifestou sobre casos específicos. Os dados oficiais da apuração estão disponíveis no portal do tribunal.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pavanato-erika-hilton-12-deputados

