O candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) em São Paulo, Danilo Morgado, preso temporariamente desde 17 de setembro sob suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), recebeu 9.145 votos nas eleições de 2026. Com esse resultado, ele se tornará suplente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Mesmo detido, o perfil de Morgado em uma rede social continuou a fazer campanha. No dia da votação, a página compartilhou um vídeo da mãe do candidato indo a uma urna. Em resposta a uma seguidora, a página afirmou que os votos ainda valeriam, pois não há condenação judicial, e demonstrou expectativa de que ele fosse solto ainda naquela semana.
A prisão ocorreu durante a Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A medida é temporária, com prazo de 30 dias, e as investigações apontam que o candidato teria ligação com o núcleo político da facção. A campanha dele à Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, em 2024, teria sido financiada pela organização criminosa.
Na mesma operação, também foi preso o ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite, além de outros 10 alvos. Quatro pessoas estão foragidas. A ação é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024, que identificou integração entre o PCC e outros grupos.
Às vésperas do pleito, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um habeas corpus impetrado pela defesa do político. Na decisão, o ministro considerou que «a decisão reclamada está, portanto, suficientemente fundamentada e preenche os requisitos cumulativos estabelecidos por esta Corte no paradigma apontado. A reclamação constitucional não pode ser utilizada como sucedâneo recursal, para revisitar os critérios de prisão decretados na origem».
A defesa de Morgado alega que a prisão temporária é irregular e que a investigação não comprovou vínculo direto entre o político e atividades ilícitas. O Metrópoles questionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a situação eleitoral do candidato, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
A situação de Morgado como suplente na Alesp depende da conclusão do processo judicial e de eventual condenação. Caso a prisão seja mantida ou ele seja condenado, a posse pode ser afetada. A defesa busca reverter a decisão no STF.
O caso reacende o debate sobre a participação de investigados por ligação com o crime organizado em eleições. Especialistas apontam que a legislação eleitoral permite a candidatura de pessoas sem condenação em segunda instância, mas a situação pode levar a questionamentos futuros na Justiça Eleitoral.
A operação que prendeu Morgado e Milton Leite segue em andamento, com outros investigados foragidos. As autoridades não divulgaram novos detalhes sobre as apurações. A reportagem tentou contato com a defesa de Morgado, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mais-9-mil-votaram-candidato-deputado-preso-pcc

