Imagens de uma câmera de segurança divulgadas nesta semana mostram o momento que antecedeu a ação policial que terminou com a morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, na madrugada de 10 de outubro, no bairro de Moema, zona sul de São Paulo.
No vídeo, o jovem aparece escondido atrás de uma parede quando os policiais militares se aproximam. Em seguida, ele retira o celular do bolso e aponta o aparelho na direção dos agentes, como se fosse uma arma. A sequência termina com Gustavo sendo atingido por diversos disparos, inclusive na região das costas, segundo a análise das imagens.
De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais foram acionados para atender a um chamado de tentativa de autoagressão. Quatro agentes participaram da abordagem e efetuaram 45 disparos com pistolas. Gustavo foi atingido por 27 tiros na cabeça, no tórax, nas pernas e nos braços, e não resistiu.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as circunstâncias do caso são investigadas pelas polícias Civil e Militar e que a conduta dos envolvidos é apurada por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM). Quatro policiais foram afastados de atividades operacionais no dia seguinte à ocorrência.
Em nota, a pasta declarou que «não tolera desvios de conduta dos seus agentes e, constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor». A SSP acrescentou que as armas dos policiais e o celular da vítima foram apreendidos para perícia e que as imagens das câmeras corporais também foram solicitadas para análise.
A família de Gustavo, representada por advogada, afirmou que pretende acompanhar as investigações e sustenta que a ação policial teve motivação discriminatória. A defesa aguarda acesso ao conteúdo completo das câmeras corporais e aos laudos periciais.
O caso ocorre dias após outra abordagem com desfecho semelhante na capital paulista. Em 3 de outubro, Antônio Nunes Batista morreu na Vila Dionísia, zona norte de São Paulo, após ser contido com disparos de arma de eletrochoque e, na sequência, baleado por três policiais, segundo o registro da ocorrência. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
As duas mortes provocaram reação de autoridades e entidades de direitos humanos. O secretário de Segurança Pública se reuniu com representantes do Ministério Público de São Paulo para tratar das apurações. As polícias Civil e Militar seguem com as investigações para esclarecer as circunstâncias dos disparos e eventuais responsabilidades.
A reportagem procurou a defesa dos policiais envolvidos e o comando da corporação para comentar as imagens divulgadas. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/veja-acao-da-pm-em-que-jovem-de-20-anos-foi-morto-com-27-tiros-em-moema

