O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, contestou o número de disparos que atingiram Gustavo Munis, de 20 anos, morto durante uma abordagem da Polícia Militar na madrugada de sábado (10). Segundo o secretário, a análise dos legistas encontrou quatro projéteis no corpo do jovem, enquanto o boletim de ocorrência inicial registrava 27 perfurações.
A ocorrência envolveu quatro agentes da PM, que efetuaram pelo menos 45 disparos com pistolas calibre .40. A divergência entre os números levou o secretário a sugerir que a contagem inicial pode ter incluído perfurações duplicadas, quando um mesmo projétil atravessa o corpo e deixa duas marcas.
Gustavo foi atingido na cabeça, no tórax, nas pernas e nos braços. Ele trabalhava como jovem aprendiz, não tinha antecedentes criminais e morava com a mãe e as irmãs em Moema, na zona sul da capital. Amigos o descrevem como uma pessoa leal e alegre. O sepultamento ocorreu na tarde de segunda-feira (12), no Cemitério Congonhas.
Em entrevista, Nico Gonçalves afirmou que ainda é «cedo para afirmar» se houve excesso por parte dos policiais, pois os laudos periciais não foram concluídos e devem ficar prontos nos próximos dias. O secretário também classificou a ação como «legítima defesa», argumentando que as circunstâncias do momento condicionaram a reação dos agentes.
De acordo com o secretário, imagens de uma câmera de segurança mostram que o jovem avançou em «posição tática», segurando o celular como se fosse uma arma, o que teria confundido os policiais. A iluminação precária do local, durante a madrugada, também teria contribuído para a confusão, segundo o boletim de ocorrência.
A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso é apurado pelas polícias Civil e Militar, com inquérito instaurado para avaliar a conduta dos quatro agentes envolvidos. A investigação busca esclarecer as circunstâncias da abordagem e a disparidade entre o número de tiros e as perfurações identificadas no corpo da vítima.
Familiares e testemunhas aguardam a conclusão dos laudos para entender o que ocorreu. O caso reacende o debate sobre o uso da força por agentes de segurança e a necessidade de transparência nas apurações.
As autoridades não divulgaram prazo para a conclusão do inquérito. A reportagem procurou a Polícia Militar e a Civil para novos esclarecimentos e aguarda retorno.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/secretario-contesta-27-tiros-contra-jovem-quatro-projeteis-no-corpo-dele

