O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (15/10) que a população tem um papel essencial no enfrentamento das fortes chuvas que atingem o estado. Durante evento no Palácio dos Bandeirantes com agentes da Defesa Civil, ele destacou que as ações de prevenção dependem também da adesão dos moradores.
«Nada adianta investir em prevenção, nada adianta emitir alerta, nada adianta drenar, nada adianta você botar sistema de sirene, se as pessoas não acreditarem, se o cidadão não fizer a sua parte», declarou Tarcísio. Segundo ele, o esforço envolve estado, municípios, Defesa Civil e a própria população.
A declaração ocorre após o temporal que atingiu a capital paulista na quarta-feira (14/10), quando uma mulher morreu soterrada. O evento também provocou congestionamentos, desabamentos, motoristas ilhados, transtornos em estações de metrô, fechamento parcial do Aeroporto de Congonhas e alagamento do Túnel do Anhangabaú.
O governador citou o Vale do Ribeira como exemplo de resposta bem-sucedida a alertas. De acordo com ele, após aviso da Defesa Civil sobre o enchimento de uma barragem, os moradores acreditaram na recomendação, deixaram suas casas e levaram pertences para abrigos. A água subiu mais do que o previsto — de 9 ou 10 metros para 14 metros —, mas as pessoas conseguiram salvar seus bens.
Tarcísio ressaltou que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes. «Ontem nós tivemos essa chuva forte aqui na cidade de São Paulo e a gente vai ter que viver com isso, a gente tem que entender que esse é um problema, que isso vai ser cada vez mais frequente», afirmou.
Ele também informou que a operação São Paulo Sempre Alerta foi antecipada de dezembro para outubro. «O que está se prevendo é a severidade das zonas dos efeitos com as chuvas mais potentes, a gente vai ter vários picos de chuva ao longo desse período», detalhou.
A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Rezende Andrade, declarou que será apurado o motivo de o Túnel São João Paulo II, conhecido como Túnel do Anhangabaú, não ter sido fechado durante a tempestade. A estrutura é operada pela Prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB). Mais de 25 carros e dois ônibus ficaram submersos no local.
O governador avaliou que o túnel deveria ter sido interditado antes da enchente. «Ontem houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido. Chega uma hora que mesmo que você tenha um sistema de bombeamento, a sua capacidade de suportar é inferior a quantidade de água que está chegando», disse.
Durante o anúncio, o governo paulista apresentou um pacote de R$ 29 bilhões em investimentos para ações de prevenção a desastres climáticos até 2029. A gestão estadual afirma que o valor será aplicado em obras de drenagem, sistemas de alerta e infraestrutura urbana.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nao-adianta-alerta-se-cidadao-nao-fizer-sua-parte-diz-tarcisio-pos-chuva

