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São Paulo

Especialista da USP critica falta de preparação urbana para chuvas extremas em São Paulo

Paulo Artaxo, da USP, afirma que enchentes na capital paulista não são causadas pela chuva, mas pela falta de investimentos estratégicos em drenagem e adaptação climática.

Promotoria dá 48h para gestão Nunes se explicar após estragos do temporalFoto: Reprodução/Redes Sociais
Raphael Nogueira Felix
16 de outubro de 202603:03
Atualizado agora há pouco às 06:03

As fortes chuvas que atingiram São Paulo na quarta-feira (14) provocaram alagamentos significativos, incluindo o Túnel do Anhangabaú, que ficou completamente submerso. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram veículos ilhados e pessoas em situação de risco. O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade pelas enchentes recorrentes na capital paulista.

Em entrevista, o cientista Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que a culpa pelas enchentes não é da chuva. «A culpa da enchente não é da chuva, é da falta de preparação da cidade para os eventos de chuva forte que estão se tornando cada vez mais frequentes e cada vez mais intensos», declarou.

Artaxo explicou que, embora o volume total de chuvas na capital tenha aumentado lentamente desde a década de 1930, o número de dias com precipitações acima de 80 a 100 milímetros em 24 horas quadruplicou. Esse fenômeno eleva o risco de alagamentos e exige respostas mais eficazes do poder público.

O especialista também criticou a redução de 55% na verba estadual destinada a sistemas de drenagem. Segundo ele, a cidade de São Paulo possui recursos financeiros e logísticos suficientes para evitar tragédias, mas a falta de investimentos estratégicos compromete a resiliência urbana. «É inaceitável que a cidade de São Paulo, com os recursos financeiros e logísticos que tenha, ainda esteja enfrentando enchentes e, particularmente, impactando a população de mais baixa renda», acrescentou.

A gestão estadual rebate as críticas e afirma executar um plano de R$ 25 bilhões em resiliência climática. O governo não detalhou, no entanto, como os recursos estão sendo aplicados ou prazos para conclusão das obras.

Moradores da capital relatam prejuízos materiais e riscos à segurança. Um taxista que ficou ilhado no Túnel do Anhangabaú descreveu a situação: «Perdi meu carro hoje no Vale do Anhangabaú. Estou em cima do carro, com passageiro». O relato evidencia o impacto direto das chuvas sobre a população.

Especialistas apontam que a combinação de urbanização intensa, impermeabilização do solo e mudanças climáticas torna eventos extremos mais frequentes. A adaptação das cidades a esse novo cenário exige planejamento de longo prazo, com obras de drenagem, áreas verdes e sistemas de alerta.

A reportagem procurou a gestão estadual para comentar as declarações de Artaxo e obter mais detalhes sobre o plano de resiliência climática, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.

Diante da recorrência de desastres, a discussão sobre responsabilidade e soluções efetivas se intensifica. A população cobra respostas e medidas concretas que evitem novas tragédias e protejam especialmente as áreas mais vulneráveis da cidade.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/a-culpa-nao-e-da-chuva-diz-especialista-em-meio-ambiente-da-usp

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