As fortes chuvas que atingiram São Paulo na quarta-feira (14) provocaram alagamentos significativos, incluindo o Túnel do Anhangabaú, que ficou completamente submerso. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram veículos ilhados e pessoas em situação de risco. O episódio reacendeu o debate sobre a responsabilidade pelas enchentes recorrentes na capital paulista.
Em entrevista, o cientista Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que a culpa pelas enchentes não é da chuva. «A culpa da enchente não é da chuva, é da falta de preparação da cidade para os eventos de chuva forte que estão se tornando cada vez mais frequentes e cada vez mais intensos», declarou.
Artaxo explicou que, embora o volume total de chuvas na capital tenha aumentado lentamente desde a década de 1930, o número de dias com precipitações acima de 80 a 100 milímetros em 24 horas quadruplicou. Esse fenômeno eleva o risco de alagamentos e exige respostas mais eficazes do poder público.
O especialista também criticou a redução de 55% na verba estadual destinada a sistemas de drenagem. Segundo ele, a cidade de São Paulo possui recursos financeiros e logísticos suficientes para evitar tragédias, mas a falta de investimentos estratégicos compromete a resiliência urbana. «É inaceitável que a cidade de São Paulo, com os recursos financeiros e logísticos que tenha, ainda esteja enfrentando enchentes e, particularmente, impactando a população de mais baixa renda», acrescentou.
A gestão estadual rebate as críticas e afirma executar um plano de R$ 25 bilhões em resiliência climática. O governo não detalhou, no entanto, como os recursos estão sendo aplicados ou prazos para conclusão das obras.
Moradores da capital relatam prejuízos materiais e riscos à segurança. Um taxista que ficou ilhado no Túnel do Anhangabaú descreveu a situação: «Perdi meu carro hoje no Vale do Anhangabaú. Estou em cima do carro, com passageiro». O relato evidencia o impacto direto das chuvas sobre a população.
Especialistas apontam que a combinação de urbanização intensa, impermeabilização do solo e mudanças climáticas torna eventos extremos mais frequentes. A adaptação das cidades a esse novo cenário exige planejamento de longo prazo, com obras de drenagem, áreas verdes e sistemas de alerta.
A reportagem procurou a gestão estadual para comentar as declarações de Artaxo e obter mais detalhes sobre o plano de resiliência climática, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.
Diante da recorrência de desastres, a discussão sobre responsabilidade e soluções efetivas se intensifica. A população cobra respostas e medidas concretas que evitem novas tragédias e protejam especialmente as áreas mais vulneráveis da cidade.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/a-culpa-nao-e-da-chuva-diz-especialista-em-meio-ambiente-da-usp

