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São Paulo

Livro escrito por crianças acolhidas em São Paulo é lançado em projeto de incentivo à leitura

Projeto Leitura Amiga, idealizado pela juíza Marina Freire, do TJSP, lançou nesta sexta-feira (16/10) um livro produzido por crianças acolhidas em abrigos de São Paulo.

Crianças no TJSPFoto: Paulo Santana/TJSP
Raphael Nogueira Felix
16 de outubro de 202620:14
Atualizado agora há pouco às 23:14

Um hábito familiar transformou a rotina de centenas de crianças acolhidas em abrigos de São Paulo. A juíza Marina Freire, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), idealizou o projeto Leitura Amiga, que teve seu primeiro livro lançado na tarde desta sexta-feira (16/10). A obra foi produzida inteiramente por crianças atendidas pela iniciativa.

A ideia surgiu no início da pandemia, há seis anos, período que a magistrada descreveu como «horrível». «Se as minhas crianças, que têm todo acolhimento, todo amor, estão sofrendo, eu fiquei imaginando as crianças dos abrigos», disse Freire, que atuou durante sete anos na Vara da Infância em Garça, no interior de São Paulo.

Ao observar os efeitos da leitura noturna em seus próprios filhos, a juíza decidiu levar a mesma experiência às crianças acolhidas. «Pensei: ‘poxa, eu podia levar esse momento de aconchego pras crianças’», contou ao Metrópoles. Freire criou uma transmissão ao vivo para ler livros aos pequenos, o que permitia ver as reações e expressões das crianças.

A adesão foi significativa. As crianças engajaram e pediam pelas leituras. «Era o momento de alegria delas», lembra a juíza. Quando passou a divulgar o Leitura Amiga nas redes sociais, pessoas de todo o Brasil se voluntariaram para ler aos pequenos, até que o projeto chegou a contar com 180 leitores voluntários.

Com tanta adesão, Freire precisou de ajuda para conciliar as leituras à rotina do tribunal. Foi assim que, há três anos, a desembargadora Gilda Cerqueira Amaral Diodatti, coordenadora da Infância e da Juventude do TJSP, passou a integrar o programa. A entrada de Diodatti no Leitura Amiga deu cara nova e novos horizontes à iniciativa.

«E se as crianças começassem a escrever e a gente premiasse elas?», surgiu como ideia em uma das reuniões do programa. Esse foi o primeiro passo em um caminho que chegou ao livro lançado nesta sexta-feira. Os menores participaram de uma tarde de autógrafos no Palácio de Justiça.

Os efeitos da leitura noturna aos pequenos logo se tornaram perceptíveis. Freire conta que «as crianças mudaram». A partir da organização de doações de livros, os acolhidos passaram a ter bibliotecas. Irmãos que antes brigavam entre si começaram a ler uns para os outros, disse a juíza.

O efeito colateral também foi grande na outra ponta do projeto. «Os voluntários começaram a entender o tanto de crianças que estão para adoção», ressaltou a magistrada. «Essas crianças ficam à sombra da sociedade, e é um problema gravíssimo do Brasil, sobretudo as crianças mais velhas que ficam pra adoção», afirmou.

A iniciativa busca dar visibilidade a crianças que aguardam adoção e promover a interação entre a sociedade e os abrigos. O projeto Leitura Amiga segue com atividades e deve ampliar o número de voluntários e de obras produzidas pelas próprias crianças.

O lançamento do livro representa um marco para o programa, que começou com leituras ao vivo e evoluiu para a produção literária dos acolhidos. A juíza Marina Freire e a desembargadora Gilda Cerqueira Amaral Diodatti destacam a importância da continuidade do projeto para transformar a realidade de crianças em situação de acolhimento.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/juiza-leitura-criancas-acolhidas

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