UrgenteJustiça de SP torna ré policial militar por morte de ajudante-geral em Cidade Tiradentes
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São Paulo

Justiça de SP torna ré policial militar por morte de ajudante-geral em Cidade Tiradentes

A soldado Yasmin Cursino Ferreira responderá por homicídio triplamente qualificado pela morte de Thawanna da Silva Salmázio, em abril, na zona leste de São Paulo.

Foto: Reprodução/TV Globo/Instagram
Raphael Nogueira Felix
19 de outubro de 202621:10
Atualizado agora há pouco às 00:10

A Justiça de São Paulo acolheu a denúncia do Ministério Público estadual e tornou ré a soldado da Polícia Militar Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, pela morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31, durante uma abordagem em abril deste ano, em Cidade Tiradentes, na zona leste da capital paulista.

A militar responderá por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a Promotoria, não houve situação que justificasse o emprego da força letal. Os promotores Rodolfo Justino de Morais e Lucas de Mello Shaefer destacaram que Thawanna estava desarmada e que o disparo foi desproporcional.

De acordo com a denúncia, após ser atingida, a ajudante-geral aguardou cerca de 30 minutos pelo resgate e morreu em seguida, sem resistir aos ferimentos. Laudo do Instituto Médico Legal apontou hemorragia interna aguda como causa da morte. O Ministério Público sustenta que a demora no atendimento contribuiu para caracterizar o meio cruel, pois a vítima permaneceu consciente e em sofrimento sem que a policial prestasse socorro imediato.

O episódio ocorreu em 3 de abril, quando Thawanna e o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, caminhavam pela Rua Edimundo Audran. Uma viatura da PM passou e esbarrou no braço de Luciano, dando início a uma discussão. A sequência foi registrada pela câmera corporal do soldado Weden Silva Soares, que acompanhava Yasmin. A soldado não usava bodycam no momento.

Em um dos trechos audíveis, a ajudante-geral afirma: «Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi». Uma voz feminina, atribuída à soldado, rebate. A discussão escala para gritos e, segundos depois, ouve-se um disparo. Yasmin alega ter sido agredida pela vítima, versão contestada pelo marido e pelo advogado da família de Thawanna.

A defesa da policial informou que ela tem sofrido ameaças e solicitou que o processo tramite em segredo de justiça. A arma da soldado foi recolhida. O caso segue em tramitação na Justiça paulista.

Procurada, a Polícia Militar não se manifestou sobre a decisão judicial até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/caso-thawanna-soldado-da-pm-vira-re-por-homicidio-triplamente-qualificado

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