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São Paulo

PT aciona Justiça Eleitoral contra operação da PM em SP e aponta manipulação política

Partido questiona ação policial que prendeu jovens com camisetas pró-Lula e pede apuração de suposto abuso de autoridade e produção de conteúdo falso.

PT denuncia à Justiça suspeita em ação da PM de SP: “Armação e fake news”. PT denuncia à Justiça suspeita em ação da PM de SP: “Armação e fake news”
Raphael Nogueira Felix
22 de outubro de 202607:12
Atualizado há 1 dia às 10:12

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou, na noite de quarta-feira (21), uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) contra a operação da Polícia Militar de São Paulo que resultou na prisão de dois adultos e na apreensão de um adolescente na comunidade Vitória Pantanal, na capital paulista. A legenda alega que a ação teve motivação política e pede a apuração de suposto abuso de autoridade e manipulação de informações.

De acordo com o PT, os três jovens abordados vestiam camisetas em apoio ao presidente Lula, candidato à reeleição. A mãe de um dos detidos, ouvida pelo Metrópoles, afirmou que o filho não usava a peça no momento da abordagem policial, sugerindo que a situação teria sido forjada para produzir um vídeo com fins eleitorais. A denúncia do partido sustenta que o objetivo seria criar um material falso para circular nas redes sociais e prejudicar a campanha petista às vésperas do segundo turno.

A operação foi realizada por equipes do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) e do 10º Batalhão de Ações Especiais (Baep), sediados em Piracicaba, no interior paulista. Segundo a versão da corporação, uma denúncia anônima indicava que três homens — vestidos com camisetas brancas com referência a Lula — comercializavam entorpecentes em uma viela próxima a um bar na Rua Senador Saraiva. Ainda conforme a PM, um deles portava uma arma de fogo.

A polícia informou que os dois adultos, de 21 e 24 anos, foram presos em flagrante, e o adolescente, de 17 anos, foi apreendido. A corporação afirma ter encontrado 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340 em espécie. A PM nega que tenha havido intimidação contra mulheres no mesmo dia, como chegou a ser ventilado nas redes sociais.

Imagens da ação foram publicadas pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP) em seu perfil no Instagram. O parlamentar usou o episódio para defender pautas de seu campo político. Procurado, Derrite não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O PT quer que ele explique de quem recebeu o material e se tinha conhecimento de eventual armação antes de divulgá-lo.

Na representação, a sigla pede que a PGE ouça a mãe dos jovens, os policiais envolvidos na abordagem e o próprio senador eleito. O partido também solicita a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar possível fraude eleitoral por meio da produção de notícias falsas e os abusos que teriam sido cometidos contra o adolescente.

«Para esclarecer o escândalo, a denúncia exige que as autoridades ouçam a mãe das vítimas, os policiais militares que forjaram a gravação e o senador Guilherme Derrite, que terá que explicar de quem recebeu o material fraudulento e se tinha conhecimento da armação quando decidiu publicá-lo na internet», afirma o PT em nota.

A Procuradoria-Geral Eleitoral ainda não se pronunciou sobre o pedido. A reportagem tentou contato com a assessoria da PM de São Paulo para comentar as acusações do partido e com a defesa dos jovens presos, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O caso segue em apuração.

O episódio ocorre em meio à disputa do segundo turno das eleições, quando a circulação de conteúdos nas redes sociais se intensifica. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem ressaltam que a produção de material falso para influenciar o pleito pode configurar crime, sujeito a investigação pela Justiça Eleitoral.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pt-denuncia-a-justica-suspeita-em-acao-da-pm-de-sp-armacao-e-fake-news

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