Uma mesária de uma escola eleitoral na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, relatou ao portal Metrópoles que tentou impedir o fechamento das urnas após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação do segundo turno no domingo (25/10). Segundo ela, o representante do cartório eleitoral se recusou a manter as seções abertas mesmo após ser informado da medida.
A determinação do STF foi divulgada por volta das 17h, e a mesária soube da decisão antes do encerramento previsto. Ela conta que, cinco minutos antes das 17h, o representante do cartório passou pela sala recolhendo orientações, procedimento comum em uma eleição normal, e avisou: «Quando der 17 horas pode encerrar a urna».
A mesária questionou a orientação, argumentando que havia movimentação popular e que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o STF ainda avaliavam a prorrogação por causa das questões de transporte. De acordo com o relato, o representante respondeu: «Não, pode encerrar. Quem tinha que votar, as pessoas que quiseram votar, votaram. Teve o dia inteiro era para votar. E eles não vão conseguir prorrogar, se for vai ser só para a Bahia».
Após as 17h, a mesária recebeu a reportagem que informava a prorrogação em todo o Brasil e imediatamente informou ao representante do cartório eleitoral. Ainda assim, ele teria se negado a manter as urnas abertas. «Ah, mas o cartório não avisou nada para a gente. Fechou? Fechou», teria dito o representante, conforme o relato da mesária.
A mulher também criticou a restrição do transporte coletivo, que, segundo ela, impediu eleitores de comparecer aos locais de votação. «Tem pessoas que por motivos diversos ficaram esperando o ônibus e não encontraram um transporte para poder vir [votar]. Porque o ônibus não tava com a frota inteira na rua. É muito fácil falar assim quando não atinge vocês», afirmou.
Segundo a mesária, um grupo se ofereceu para permanecer no local até as 19h para garantir que os eleitores pudessem votar, inclusive com cédula de papel. «Se for preciso a gente fica aqui até às 19 horas, nem que seja para o pessoal votar com cédula de papel. A gente fica aqui, não tem problema nenhum. Todo mundo tem que ter o direito de votar», disse.
Por volta das 5h30, o representante do cartório eleitoral deixou o local com as urnas lacradas em direção ao Cartório Eleitoral da Zona, de acordo com a reportagem. O caso, conforme o portal, evidencia a demora na comunicação entre os órgãos eleitorais e as seções durante o pleito.
A reportagem procurou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para comentar o episódio, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mesaria-denuncia-tre-por-determinar-fechamento-mesmo-ciente-do-ordem-do-stf

