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São Paulo

Ampliação do horário eleitoral em SP expõe falhas no transporte e gera disputa jurídica

Decisão do STF estendeu votação até as 19h após frota de ônibus circular abaixo do exigido; apuração travou e oposição contesta resultado.

Foto mostra urnas recolhidas na zona sul, mesmo após prorrogação de votaçãoFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
26 de outubro de 202602:17
Atualizado agora há pouco às 05:17

A cidade de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, foi palco de uma sequência de eventos que marcou o segundo turno das eleições de 2026. A redução na circulação de ônibus municipais durante a manhã e a tarde de domingo (25) levou a Justiça Eleitoral a prorrogar o horário de votação em todo o Brasil, medida inédita que repercutiu entre apoiadores e críticos do governo.

Por volta das 13h20, apenas 71,7% da frota de ônibus que atende linhas municipais estava em operação, segundo dados do aplicativo Businfo. Em números absolutos, 3.898 dos 13.790 veículos permaneciam nas garagens, incluindo linhas com apenas um ônibus em circulação, como a Vila Carrão–Praça da Sé. No Rio de Janeiro, a taxa era de 100% no mesmo horário.

A situação contrariava determinação da Justiça Eleitoral expedida na sexta-feira (23), que exigia da Prefeitura e da SPTrans a manutenção de 100% da frota em níveis equivalentes aos de dias úteis. A prefeitura negou as denúncias e afirmou que informou as concessionárias no sábado (24) sobre o esquema do segundo turno, mantendo a frota equivalente a um sábado.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles apontaram que a taxa dificilmente chegaria a 100% devido a veículos em manutenção, mas deveria superar 85%, idealmente 90%. O índice observado às 13h20 ficou quase 20 pontos percentuais abaixo do mínimo esperado, segundo Rodrigo Faria G. Iacovini, diretor executivo do Instituto Pólis e membro do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte.

Às 13h22, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a ampliação do horário de votação em duas horas em três municípios da Bahia: Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. O argumento foi o mesmo: redução na frota de ônibus. Pouco depois, às 15h42, um novo pedido foi apresentado no TSE pedindo a extensão do horário em todo o país.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu o pedido e determinou a prorrogação da votação até as 19h em território nacional. A decisão foi alvo de críticas de apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que questionaram a legalidade da medida.

Durante as duas horas adicionais, a apuração dos votos ficou travada em 0,25% das urnas, com relatos de confusão e desorientação de mesários em seções que já haviam encerrado os trabalhos. A contagem só avançou após o fim do prazo estendido, quando os resultados começaram a ser consolidados.

Após a confirmação da reeleição de Lula, Flávio Bolsonaro anunciou que não reconhecerá a vitória do petista e que pedirá a anulação do pleito. A campanha do senador alega que a prorrogação do horário criou condições desiguais entre os eleitores. Até o momento, não há decisão judicial sobre o pedido de anulação.

O episódio envolvendo a frota de ônibus em São Paulo e a subsequente ampliação do horário eleitoral levanta debates sobre a logística do transporte público em dias de votação e sobre os critérios para alterações no calendário eleitoral. A Justiça Eleitoral ainda não se pronunciou sobre as causas exatas da redução da frota na capital paulista.

A prefeitura de São Paulo informou que vai apurar as responsabilidades pela circulação abaixo do exigido, enquanto a SPTrans afirmou que cumpriu as determinações recebidas. O Ministério Público Eleitoral acompanha o caso e pode abrir procedimento para investigar eventual descumprimento da ordem judicial.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-onibus-parados-e-filas-a-cronologia-do-caos-eleitoral-em-sp

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