A deputada federal por São Paulo Érika Hilton (PSol), reeleita em 2026, foi a candidata que mais recebeu ataques nas redes sociais durante o período eleitoral, segundo levantamento do observatório MonitorA. A maior parte das ofensas direcionadas à parlamentar tem conteúdo transfóbico, de acordo com o estudo.
O ranking elaborado pelo MonitorA, que analisou publicações entre 1º e 4 de outubro, aponta que 31% dos comentários examinados continham algum tipo de ofensa contra as candidatas. Na sequência de Érika Hilton aparecem a ex-ministra Marina Silva (Rede) e a senadora Simone Tebet (PSB).
Além da liderança no volume de ataques, o levantamento identificou que 25% das imagens ofensivas contra candidatas na plataforma X foram produzidas com uso de inteligência artificial, o que, segundo o observatório, caracteriza uma nova forma de disseminar violência política de gênero.
O MonitorA é um observatório dedicado a acompanhar conteúdo extremista e desinformação em ambientes digitais. O estudo sobre as eleições de 2026 analisou publicações em plataformas como o X (antigo Twitter) e outros espaços de debate online, com foco em candidatas mulheres.
Procurada, a assessoria de Érika Hilton não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais respostas.
A deputada, que preside a Comissão de Direitos da Mulher na Câmara, tem sido alvo frequente de ataques nas redes. Em outras ocasiões, a parlamentar cobrou investigação sobre conteúdos ofensivos e manifestações de ódio direcionadas a ela e a outras mulheres na política.
O levantamento do MonitorA reforça um padrão identificado em pleitos anteriores: candidatas mulheres, especialmente as que ocupam posições de destaque, recebem volume desproporcional de mensagens agressivas. A novidade neste ano é o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial para criar e amplificar esse tipo de conteúdo.
Especialistas em comunicação política apontam que a violência digital pode desestimular a participação feminina na política e afetar a saúde mental das candidatas. O MonitorA defende que plataformas e autoridades eleitorais adotem medidas mais efetivas de moderação e responsabilização.
O estudo do MonitorA será atualizado com novos dados ao longo do período pós-eleitoral, segundo informou o observatório. A íntegra do levantamento está disponível no site da entidade.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/erika-hilton-lidera-ranking-de-politicas-mais-ofendidas-durante-as-eleicoes

