O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), está entre os nomes que podem integrar a equipe ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir de janeiro de 2027. A informação foi apurada pela reportagem e confirmada por fontes ligadas ao MP paulista.
Gakiya ganhou notoriedade pelo trabalho no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em Presidente Prudente, no interior paulista. Ele é reconhecido por investigações que resultaram em condenações e transferências de lideranças de facções criminosas.
Procurado, o promotor confirmou que aceitaria um chamado para assumir uma pasta, mas fez questão de ressaltar que ainda não recebeu convite oficial. «Não fui convidado», afirmou, segundo a apuração.
Nos bastidores, nomes do Ministério Público avaliam que a eventual entrada de Gakiya em um ministério representaria um reforço na área de segurança pública. Uma fonte ouvida sob reserva resumiu: «Acho que o Lula faria um golaço com o Lincoln».
A disputa pelo posto, no entanto, não é simples. O atual secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, também é apontado como possível escolhido. Ele tem a simpatia do governador eleito do Piauí, Rafael Fonteles, que se aproximou de Lula durante o segundo turno e participou do discurso da vitória.
Outro fator que pode influenciar a decisão é a posição do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Há a possibilidade de ele deixar o comando da PF para assumir alguma área no próximo governo, o que abriria espaço para outros arranjos.
A trajetória de Gakiya é marcada por episódios de risco. Há mais de dez anos, ele vive sob escolta de grupos de elite da Polícia Militar por causa de ameaças de facções criminosas. A primeira vez que lideranças do PCC decretaram sua morte foi em 2005; desde então, a polícia já desvendou cinco planos para matá-lo.
Em 2025, durante entrevista ao programa Acorda, do Metrópoles, o promotor disse que cogitou pedir asilo quando se aposentar. A declaração foi feita logo após o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz, em setembro do ano passado, no litoral paulista.
Questionado sobre a possibilidade de assumir um ministério, Gakiya não detalhou quais áreas poderia ocupar. Pessoas próximas ao promotor afirmam que ele só aceitaria um convite se pudesse manter autonomia e dar continuidade ao trabalho de combate ao crime organizado.
A definição dos nomes do próximo ministério deve ocorrer ao longo dos próximos meses, conforme a equipe de transição avança na montagem da estrutura de governo. Até o momento, não há confirmação oficial sobre nenhum dos cotados.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/promotor-do-mpsp-e-cotado-para-comandar-ministerio-no-governo-lula

