O médico Drauzio Varella manifestou apoio, nesta quarta-feira (4/11), à operação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra uma organização suspeita de utilizar sua imagem e voz, além de outras figuras públicas, em propagandas falsas de produtos nas redes sociais. Em entrevista ao Metrópoles, o oncologista declarou-se «satisfeito em ver as instituições agindo para combater essa prática criminosa».
Segundo o médico, o problema se arrasta há anos. «Há anos venho sendo vítima de anúncios falsos que usam minha imagem e minha voz para vender produtos que nunca recomendei», afirmou. Ele relatou que as investigações identificaram um grupo dedicado a ensinar outras pessoas a produzir montagens e aplicar golpes, e que os fatos foram levados ao Ministério Público.
A Operação Merovingian, como foi batizada, cumpriu mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos suspeitos. De acordo com a promotoria, o grupo comercializava suplementos alimentares e substâncias medicinais sem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sem indicação médica, prometendo resultados «milagrosos» para diversos problemas de saúde.
A ação resultou na apreensão de celulares e dispositivos eletrônicos que podem auxiliar a investigação a identificar outros envolvidos e mais vítimas que tiveram nomes e imagens usados nos crimes. A operação foi conduzida pelo Cyber Gaeco, em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro.
Em outubro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) já havia determinado o pagamento de uma indenização de R$ 70 mil ao médico. A decisão judicial reconheceu o uso indevido de sua imagem em anúncios fraudulentos.
Drauzio Varella já havia abordado o assunto em julho deste ano, durante evento do Metrópoles Talks. Na ocasião, destacou que o problema mais grave, em sua avaliação, era a venda de medicamentos falsos. Para o médico, trata-se de um mercado mundial, mas com características particulares no Brasil.
«Eu tenho a minha imagem utilizada por essas quadrilhas de estelionatários, que agem em parceria com as plataformas. Eu tenho uma quantidade enorme de medicamentos que as pessoas me param na rua e dizem que usam porque eu anunciei, e eu digo que não faço anúncio de remédio nenhum», declarou na época.
A prática de deepfakes — montagens que simulam a voz e o rosto de personalidades — tem sido usada para dar credibilidade a produtos sem comprovação científica e a golpes financeiros. As autoridades alertam que a população deve desconfiar de anúncios que prometem resultados rápidos e milagrosos e sempre verificar a procedência das informações.
O MPSP informou que as investigações prosseguem para identificar outros suspeitos e vítimas. A reportagem procurou os demais citados e não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/vitima-ha-anos-diz-drauzio-varella-sobre-deepfakes-alvos-de-operacao

