Um dos trabalhadores resgatados após o desabamento de um prédio de quatro andares no Brás, região central de São Paulo, na noite da última sexta-feira, contou que ele e os colegas usaram os próprios celulares para pedir ajuda enquanto ainda estavam sob os escombros. A informação foi dada por Jhony Wanga, que atuava no carregamento de tecidos no momento da queda da estrutura.
Segundo o relato do trabalhador, diversas pessoas acionaram o Corpo de Bombeiros de dentro do imóvel. «Quem tinha celular, tava ligando para os bombeiros», afirmou. Ele estimou que mais de 15 chamadas foram feitas por diferentes pessoas que estavam no local. «Ligamos, depois de sete, oito minutos o socorro chegou no tempo certo», completou.
Ao todo, 27 pessoas foram retiradas dos escombros pelos bombeiros. De acordo com as autoridades, quatro vítimas foram encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em situação estável, com ferimentos leves. Outras oito conseguiram deixar o edifício por conta própria antes da chegada das equipes de resgate.
Jhony Wanga retornou ao local na manhã deste sábado para tentar recuperar uma mochila que ficou sob os destroços. Ele contou que acredita que o excesso de peso possa ter provocado o desabamento. «Pra mim o que causou isso foi o peso, que os chineses [donos do estabelecimento] queriam levar tudo no terceiro andar, no último andar do prédio. Então, tinha muito peso», declarou.
O trabalhador explicou que, naquela tarde, os funcionários descarregavam a carga de um contêiner de tecidos recém-chegada, estimada em cerca de 23 toneladas. Ele estava no primeiro andar quando o teto desabou. «Você fica sem palavras», disse, ao descrever o momento da tragédia.
De acordo com os bombeiros, os trabalhadores que ficaram presos precisaram quebrar um vidro para facilitar a entrada de ar enquanto aguardavam o resgate. A ação teria ajudado a manter a ventilação no ambiente até a chegada das equipes.
O estabelecimento funcionava sem Auto de Licença de Funcionamento, da Prefeitura de São Paulo, e sem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. A informação foi confirmada pelas autoridades neste sábado. A ausência dos documentos deve ser considerada na apuração das responsabilidades.
As circunstâncias do desabamento ainda serão investigadas. Até o momento, não há conclusão oficial sobre as causas do colapso da estrutura. As equipes de resgate encerraram as buscas por possíveis vítimas soterradas após cães farejadores não encontrarem sinais de pessoas sob os escombros.
O caso gerou comoção na região do Brás, área de intensa atividade comercial e de grande circulação de trabalhadores. A Prefeitura e o Corpo de Bombeiros devem prestar novas informações sobre a perícia e as medidas administrativas nos próximos dias.
Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/sobreviventes-ligaram-para-bombeiros-de-dentro-de-predio-desabado-no-bras

