A morte da jovem Kethiny Evinlyn, de 24 anos, ocorrida na madrugada de 22 de outubro, após uma cirurgia de correção maxilar em Guaratinguetá, no interior paulista, é investigada pela Delegacia Seccional da cidade. A família alega que não recebeu informações claras sobre o que provocou a complicação que levou ao óbito.
Segundo o boletim de ocorrência registrado pelos parentes, Kethiny deu entrada no hospital na terça-feira (20) e foi levada ao centro cirúrgico por volta das 13h. Ao término do procedimento, a equipe médica comunicou que houve uma intercorrência e que a paciente precisaria passar por exames para avaliar um dano neurológico.
A jovem teria sofrido hipóxia cerebral — redução do fornecimento de oxigênio ao cérebro — e foi encaminhada diretamente à UTI, onde permaneceu inconsciente, entubada e sedada. De acordo com a família, os médicos não explicaram o que teria causado a complicação durante a cirurgia.
Na noite anterior ao procedimento, Kethiny gravou um vídeo no qual dizia estar apreensiva. «Estou muito preocupada, não estou conseguindo dormir», afirmou, referindo-se à que chamou de sua «cirurgia dos sonhos».
A mãe da jovem acompanhava a internação e foi informada de que a filha corria risco de morte. Os familiares foram chamados ao hospital de madrugada e encontraram a paciente em estado crítico, porém estável. O quadro se agravou na madrugada de quarta-feira (21), e o óbito foi confirmado pouco depois.
A irmã de Kethiny relatou à polícia que, em determinado momento, os familiares ouviram menção a uma situação envolvendo o material cirúrgico utilizado no procedimento, o que poderia indicar um possível erro médico. A informação não foi confirmada oficialmente.
Ainda conforme o relato, os esclarecimentos prestados pela equipe médica teriam sido superficiais e insuficientes. Mesmo após a morte, a família afirma não ter recebido explicações conclusivas sobre a causa da complicação ou sobre os fatores que levaram ao falecimento.
A Delegacia Seccional de Guaratinguetá instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte e aguarda os resultados de exames periciais. Procurada, a unidade hospitalar não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
O caso reacende a discussão sobre a transparência na comunicação de intercorrências cirúrgicas e sobre o direito das famílias de obter informações detalhadas em situações de risco. Especialistas defendem que os hospitais mantenham canais formais de prestação de contas.
A família de Kethiny aguarda a conclusão das investigações para entender o que aconteceu durante o procedimento. O inquérito policial deve ouvir testemunhas e analisar a documentação médica para esclarecer se houve falha no atendimento.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/jovem-de-24-anos-morre-apos-cirurgia-maxilar-e-familia-denuncia-erro-medico

