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Anúncios de emagrecedores no Mercado Livre: 71% apresentam indícios de irregularidades, aponta Abrafarma

Monitoramento da Abrafarma encontrou promessas terapêuticas, falta de composição e nomes semelhantes a medicamentos em 1.865 de 2.624 anúncios analisados na plataforma.

Mulher medindo a barriga com fita métrica - Gordura localizada: como o organismo escolhe o que queimar. Getty Images
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202608:19
Atualizado agora há pouco às 11:19

Um levantamento da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) apontou que 1.865 dos 2.624 anúncios de produtos para emagrecer veiculados no Mercado Livre apresentam indícios de irregularidades, o que corresponde a 71% da amostra. A coleta foi realizada entre 15 e 19 de junho de 2026 e o conteúdo foi confrontado com normas sanitárias e com os termos de uso da plataforma.

Entre os problemas mais recorrentes estão a promessa de efeitos medicamentosos para suplementos alimentares, a ausência de informações claras sobre a composição dos produtos e a utilização de nomes semelhantes aos de medicamentos conhecidos. A prática pode induzir o consumidor a acreditar que está adquirindo um produto com eficácia terapêutica comprovada.

Do total de anúncios avaliados, 2.362 (nove em cada dez) foram classificados como suplementos alimentares. Dentro desse grupo, 70% apresentaram pelo menos uma ocorrência de irregularidade. A mais frequente foi a promessa de efeito terapêutico ou medicamentoso, identificada em 1.141 anúncios.

«Suplemento alimentar não é medicamento. O consumidor não pode comprar um suplemento acreditando que está levando para casa um produto com efeito medicamentoso», afirmou Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma.

O nutricionista e sanitarista Clayton Personnaz explica que suplementos complementam a alimentação com nutrientes e outras substâncias autorizadas. A utilidade depende dos ingredientes, das doses e das necessidades individuais, e a regularização na categoria não demonstra eficácia para tratar a obesidade. Já os medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade têm segurança e eficácia avaliadas para a finalidade indicada, podem atuar na fome, na saciedade ou na absorção de gordura, mas apresentam efeitos adversos e contraindicações, exigindo prescrição e acompanhamento profissional.

O monitoramento também registrou 538 ocorrências com referências como «Monjauro de Pobre», «Ozempik», «Monjaru» e «Ozemcaps», além de promessas de perda de cinco quilos em sete dias e de até 30 quilos em um mês. Para Mena Barreto, a semelhança dos nomes e as promessas podem levar o consumidor a acreditar que um suplemento oferece os mesmos efeitos de um medicamento sem evidências que sustentem a comparação.

O levantamento enquadrou 950 anúncios no critério «produto não seguro, origem ilícita ou atividade ilegal». Cerca de 70% dos casos dentro desse grupo envolviam ausência de declaração da fórmula nos campos analisados. A classificação reúne diferentes situações e não comprova origem ilícita em todos os casos.

Procurado, o Mercado Livre informou que mantém monitoramento e equipes especializadas para retirar produtos que descumpram normas ou políticas da empresa. A plataforma não detalhou quantos anúncios foram removidos nem se posicionou especificamente sobre os números do levantamento.

Especialistas alertam que a compra de produtos com promessas milagrosas de emagrecimento sem orientação profissional pode representar riscos à saúde, especialmente quando não há clareza sobre a composição ou quando o produto é apresentado como tendo efeitos de medicamento. A recomendação é buscar informações em fontes confiáveis e consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento.

Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/emagrecedores-71-de-anuncios-no-mercado-livre-tem-indicios-de-infracao

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