Os chutes e giros do bebê durante a gestação podem provocar desconforto e dores intensas, especialmente no terceiro trimestre, mas não têm capacidade física de machucar ou lesionar os órgãos internos da mãe. A explicação está na anatomia do corpo humano, que conta com um sistema de proteção composto por múltiplas camadas capazes de absorver e dissipar o impacto dos movimentos fetais.
A preservação da integridade física materna ocorre devido à atuação conjunta do líquido amniótico, das membranas, da parede muscular do útero e da camada abdominal. A ginecologista e obstetra Marcelle Thimoti esclarece que essa estrutura impede que a força exercida pelo feto atinja os órgãos de forma prejudicial.
«O líquido amniótico amortece o movimento do bebê e distribui a força do impacto. A parede do útero é muscular, elástica e resistente, e absorve boa parte da energia do chute. O resultado é que a força que chega aos demais órgãos é muito pequena», explica a especialista.
A sensação de dor se intensifica nos últimos meses de gravidez devido ao crescimento fetal e às transformações anatômicas necessárias para acomodar o bebê. O aumento do útero comprime órgãos vizinhos, empurra o diafragma e força a abertura das costelas. Esse processo é amplificado pela ação do hormônio relaxina, que torna ligamentos e articulações mais frouxos.
De acordo com a fisioterapeuta pélvica Nathalia Andreotta, do Hauge Studio e Fit, a parede abdominal passa por mudanças profundas que afetam a estabilidade do corpo. A separação dos músculos reto-abdominais, conhecida como diástase, é um fenômeno normal que chega a atingir até 100% das gestantes no final da gestação.
«Estudos indicam que gestantes no terceiro trimestre com maior diástase apresentam mais dor lombar e maior impacto nas atividades diárias. Quanto mais fracos os músculos abdominais, maior a instabilidade», aponta a especialista.
A localização da dor também está associada ao posicionamento do bebê. Quando o feto está em posição cefálica, ou seja, de cabeça para baixo, os chutes se concentram na parte alta do abdômen. Já na posição pélvica, quando está sentado, a pressão atinge a pelve e a bexiga.
Dores intensas, persistentes ou acompanhadas de sintomas como inchaço súbito e alterações visuais exigem avaliação profissional. A recomendação é que a gestante relate qualquer desconforto fora do padrão ao pré-natal para que as causas sejam investigadas e o bem-estar de mãe e bebê seja preservado.
Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/chutes-fetais-geram-dor-no-fim-da-gestacao-mas-anatomia-evita-lesoes
