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Pesquisa associa amigo imaginário na infância à sensação de presença na vida adulta

Estudo publicado na Consciousness and Cognition encontrou maior frequência de relatos de sentir alguém por perto entre adultos que tiveram companheiros imaginários na infância; autores destacam que não há prova de causa e efeito.

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RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202608:15
Atualizado agora há pouco às 11:15

Um estudo publicado em 26 de outubro na revista científica Consciousness and Cognition sugere uma possível associação entre ter tido um amigo imaginário na infância e a frequência com que a pessoa sente a presença de alguém por perto na vida adulta, mesmo estando sozinha. A pesquisa foi conduzida com 185 adultos recrutados por meio da Universidade de Economia de Izmir, na Turquia.

Entre os participantes, 45 relataram se lembrar de ter tido um companheiro imaginário durante a infância. Nenhum deles informou diagnóstico psiquiátrico ou neurológico. Todos responderam a um questionário sobre a frequência com que sentiram outra presença sem evidências sensoriais claras no mês anterior à pesquisa.

A pontuação média na escala utilizada pelos pesquisadores foi de 25,51 entre os adultos que se lembravam de amigos imaginários. No grupo que não relatou essa experiência, a média ficou em 20,07. A escala variava de 15 a 75 pontos, e quanto maior o valor, mais frequentes eram os relatos de sentir outra presença.

Os autores ressaltam que a diferença indica uma associação entre as duas experiências, mas não demonstra que ter um amigo imaginário na infância provoque essa sensação na vida adulta. O estudo não estabelece relação de causa e efeito.

Os participantes que se lembravam de companheiros imaginários também foram questionados sobre onde esses personagens costumavam aparecer em relação ao próprio corpo. As respostas mostraram que eles eram lembrados principalmente à frente ou ao lado da pessoa.

Das 114 estimativas de distância registradas, 76 colocavam o companheiro a menos de 70 centímetros do participante. Essa região próxima ao corpo é chamada de espaço peripessoal, área utilizada para ações como alcançar objetos, movimentar as mãos e interagir com outras pessoas.

A partir dessas informações, os pesquisadores propõem que a experiência com amigos imaginários pode ter relação com a maneira como o cérebro representa o corpo e o ambiente ao redor. A hipótese é que o personagem imaginário seja percebido como alguém que ocupa um lugar nesse espaço próximo.

Experimentos anteriores com robôs ajudam a explicar como o cérebro pode interpretar a sensação de que alguém está por perto. Nesses testes, participantes movimentavam as mãos enquanto um robô tocava suas costas. Quando havia um pequeno atraso entre o movimento e o toque, algumas pessoas sentiam como se outra pessoa estivesse atrás delas.

Uma das hipóteses levantadas é que o cérebro tenha dificuldade para identificar a origem dos sinais do corpo e interprete sensações provocadas pelos próprios movimentos como se viessem de outra pessoa. Os autores destacam, no entanto, que novas pesquisas são necessárias para aprofundar a compreensão sobre o tema.

Fonte de referência: Saúde – Metrópoles — https://metropoles.com/saude/adultos-que-tiveram-amigo-imaginario-sentem-mais-a-presenca-de-terceiros

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