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Guarujá

Secretário-adjunto de Guarujá deixa cargo após publicações sobre eleitores de Lula

Airton Sinto, secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania de Guarujá, pediu exoneração após sugerir que empresários demitam funcionários com posicionamentos políticos de esquerda. OAB criticou as manifestações.

Secretário pede exoneração após posts sobre demissão de eleitores de LulaFoto: Reprodução/Facebook
Raphael Nogueira Felix
28 de outubro de 202616:02
Atualizado agora há pouco às 19:02

O secretário-adjunto de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, Airton Sinto, pediu exoneração do cargo nesta terça-feira (27/10), após a repercussão de publicações feitas por ele nas redes sociais. O pedido foi assinado pela gestão do prefeito Farid Said Madi (Podemos) e publicado no Diário Oficial do município nesta quarta-feira (28/10). A exoneração passa a valer a partir da data de publicação.

Nas postagens, o então secretário-adjunto sugeria que empresários não contratassem ou não mantivessem em seus quadros funcionários com posicionamentos políticos de esquerda. Em um vídeo, ele afirmou: «Uma dica para o empresário que contrata, que tem empregados: não contrate quem odeia empresário e empregador. Não mantenha no seu hall de empregados quem entende que você é opressor.» O conteúdo foi apagado por ele após a repercussão.

Em outra publicação, Airton Sinto defendeu que empresários de direita estabelecidos em estados onde a maioria apoia a esquerda deveriam se sentir à vontade para «fecharem as portas» e reabrirem no estado de São Paulo. Ele também compartilhou um post sobre um evento de Natal solidário cancelado no Rio Grande do Sul após o resultado das eleições, classificando-o como «um exemplo a ser seguido».

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da 73ª Subseção de Guarujá, divulgou nota na terça-feira (27/10) na qual afirma que «discriminação, exclusão ou restrição de oportunidades profissionais em razão do posicionamento político de uma pessoa é incompatível com o Estado Democrático de Direito».

A nota da OAB acrescenta que «a advocacia, enquanto função essencial à Justiça, exige de seus profissionais uma conduta pautada pela dignidade da pessoa humana, pela ética, pela independência, pela urbanidade e pelo respeito aos direitos fundamentais». O texto também destaca que «manifestações públicas que defendam a recusa de contratação exclusivamente em razão de suas convicções políticas suscitam legítima preocupação ética e institucional, sobretudo quando provenientes de profissionais cuja atuação deve estar comprometida com a defesa dos direitos e das garantias fundamentais».

Airton Sinto é advogado e sua situação na OAB-SP está regular, segundo a reportagem. A exoneração foi assinada pelo prefeito Farid Said Madi e publicada no Diário Oficial de Guarujá, encerrando sua passagem pela secretaria-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania.

O caso gerou repercussão nas redes sociais e entre entidades ligadas à defesa de direitos, que repudiaram a associação entre posicionamento político e critérios de contratação ou demissão. A prefeitura de Guarujá não se manifestou sobre o conteúdo das publicações até a publicação desta matéria.

A saída do secretário-adjunto ocorre em um contexto de debate sobre os limites da liberdade de expressão de agentes públicos e sobre a proteção contra discriminação por convicção política. A Constituição Federal estabelece que ninguém pode ser privado de direitos por motivo de crença política, salvo se invocar motivo de escusa de consciência para se eximir de obrigação legal a todos imposta.

Procurada, a Prefeitura de Guarujá informou apenas que o pedido de exoneração foi protocolado e publicado no Diário Oficial, sem detalhar os motivos. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/secretario-pede-exoneracao-apos-posts-sobre-demissao-de-eleitores-de-lula

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