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Jundiaí

Padre de Jundiaí é excomungado após adesão a grupo tradicionalista

A Diocese de Jundiaí anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira da Silva, que aderiu à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, movimento que rompeu com o Vaticano.

padre excomungado igreja católicaFoto: Reprodução/Redes sociais
Raphael Nogueira Felix
11 de agosto de 202612:55
Atualizado agora há pouco às 15:55

A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, anunciou na última sexta-feira (7/8) a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira da Silva. A medida foi tomada após o religioso aderir formalmente à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), movimento que a Igreja Católica considera cismático. O padre já havia pedido afastamento da diocese em fevereiro deste ano.

A FSSPX, também conhecida como grupo dos lefebvristas, foi fundada na década de 1970 pelo arcebispo francês Dom Marcel Lefebvre. A organização defende a preservação das práticas tradicionais do catolicismo, como a celebração da missa em latim, e faz críticas às mudanças recentes da Igreja, incluindo a aproximação com outras religiões.

A excomunhão do padre Rodrigo é consequência de um decreto do Vaticano, divulgado no início de julho, que formalizou o rompimento da Igreja Católica com a fraternidade. No comunicado, o papa Leão XIV alertou que os fiéis que aderirem formalmente ao grupo também serão considerados excomungados.

O rompimento ocorreu depois que o bispo Alfonso de Galarreta consagrou quatro novos bispos para o movimento sem autorização do Vaticano. Segundo a teologia católica, essa atitude é considerada um ato cismático gravíssimo. Antes da consagração, o papa Leão XIV fez um último apelo público para que a fraternidade não prosseguisse com o plano.

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X está presente em cerca de 60 países e conta com 720 sacerdotes, além de seis seminários internacionais de formação. No fim da década de 1980, Dom Marcel Lefebvre também consagrou bispos sem autorização papal, o que resultou na excomunhão dele e dos demais envolvidos na época.

Em 2009, o papa Bento XVI revogou a punição como parte de uma política de reaproximação entre a Santa Sé e o grupo. Agora, com o novo rompimento, a situação voltou a se complicar. Em declaração no dia 5 de julho, durante uma missa na Suíça, o padre Georg Kopf afirmou acreditar que «um dia haverá outro papa que abrirá portas e nos receberá de volta».

A excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira da Silva representa mais um capítulo na relação tensa entre a Igreja Católica e a FSSPX. A diocese de Jundiaí não detalhou os próximos passos do religioso, mas a decisão reforça a posição oficial do Vaticano contra o movimento.

Para os fiéis, a orientação é clara: quem aderir formalmente à fraternidade estará fora da comunhão com a Igreja Católica. A medida busca evitar que o grupo ganhe força entre os católicos brasileiros, especialmente em regiões onde há forte devoção às tradições.

O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre os limites da autonomia de movimentos dentro da Igreja. Enquanto isso, a FSSPX segue com suas atividades, afirmando defender a fé católica tradicional.

A Diocese de Jundiaí não se manifestou sobre eventuais sanções adicionais ao padre Rodrigo, mas a excomunhão já é considerada a pena máxima prevista pelo direito canônico. O religioso, que estava afastado das atividades paroquiais desde fevereiro, agora terá que decidir se permanece no grupo ou busca reconciliação com a Igreja.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/padre-excomungado-igreja-catolica

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