Um latrocínio ocorrido em um bairro de classe média alta de Belo Horizonte, envolvendo uma diarista como suspeita, provocou uma crise de confiança entre moradores e profissionais domésticos. O caso, que ganhou grande repercussão, fez com que patrões passassem a ter receio ao contratar pessoas para trabalhar em suas residências, enquanto diaristas e faxineiras relatam maior dificuldade para conseguir novos empregos.
Na última quarta-feira (8/7), a reconstituição do crime movimentou o bairro São Pedro e intensificou o debate sobre a segurança na contratação de serviços domésticos. Vizinhos do casal assassinado, vítimas de Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, disseram que agora desconfiam mais ao permitir a entrada de profissionais em suas casas.
Alguns moradores afirmaram que pretendem exigir referências antes de contratar qualquer prestador de serviço. Uma vizinha, que precisará substituir a diarista que trabalha com ela há 40 anos, expressou sua preocupação: "Como que eu vou mudar de ajudante agora? Como que eu vou contratar outra pessoa?"
Por outro lado, diaristas que acompanhavam a movimentação durante a reconstituição lamentaram que o episódio tenha prejudicado toda a categoria. Uma profissional com cerca de 20 anos de experiência resumiu o sentimento: "Ninguém confia mais."
O caso de Paola é emblemático, pois ela havia sido indicada por um parente do casal, para quem já prestava serviços há algum tempo, sem que houvesse qualquer suspeita. Isso mostra que, mesmo com cuidados na contratação, a preocupação persiste.
A reconstituição simulada da morte do casal é considerada uma das etapas finais do inquérito conduzido pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O procedimento durou cerca de três horas e contou com a presença de investigadores, peritos, representantes da OAB-MG, jornalistas e dezenas de moradores que se aglomeraram em frente ao edifício.
Paola chegou ao local escoltada por policiais e usando algemas, sendo recebida com hostilidade por parte dos presentes, que gritavam palavras como "assassina" e "bandida". Durante a tarde, a presença da imprensa e o isolamento da área chamaram a atenção de quem passava pelo local.
Após a reconstituição, o advogado de defesa, Bruno Corrêa, afirmou que a cliente passou por forte abalo emocional, precisando interromper o procedimento em vários momentos devido ao nervosismo e dificuldade para recordar parte dos acontecimentos.
O caso levanta questões sobre a relação de confiança entre patrões e empregados domésticos, um vínculo historicamente baseado na informalidade e na indicação pessoal. A repercussão do crime pode levar a mudanças na forma como as contratações são feitas, com maior exigência de referências e verificação de antecedentes.
Fonte de referência: O Segredo: Notícias, Relacionamentos, Espiritualidade e Bem-Estar — https://osegredo.com.br/noticias/crime-brutal-bh-patroes-diaristas


