Um delegado da Polícia Civil de São Paulo é alvo de investigação do Ministério Público estadual após uma série de episódios que levantaram suspeitas sobre sua conduta profissional. Erivan Vera Cruz, que responde pela delegacia de Jaguariúna e também atua como plantonista em Mogi Guaçu, no interior paulista, chegou cinco horas atrasado ao expediente no último sábado (22/8). Ao ser questionado por um promotor de Justiça, ele teria se recusado a soprar o bafômetro e a fornecer amostra de sangue.
A situação começou quando policiais militares tentavam registrar a prisão em flagrante de um homem suspeito de furtar duas vezes uma escola. A ausência do delegado impedia a formalização do procedimento, o que motivou a presença do MPSP na unidade. De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles, o promotor e um oficial da PM desconfiaram de que o delegado estivesse alcoolizado, mas ele negou o teste.
Inicialmente, Erivan alegou que o atraso se devia a uma ocorrência grave em Jaguariúna, cidade vizinha onde é titular. No entanto, após consulta aos sistemas de rastreamento, ele voltou atrás e admitiu que não havia saído do município onde reside. A mudança de versão levantou ainda mais questionamentos sobre a conduta do delegado, que já era monitorado por supostas ausências frequentes.
A investigação do MPSP aponta que Erivan Vera Cruz teria desestimulado a apresentação de presos em flagrante em pelo menos cinco cidades da região. Em vários casos, a demora ou a recusa em atender os policiais forçava a ocorrência a ser encaminhada para outra delegacia, sobrecarregando o trabalho das equipes. A prática, segundo a Promotoria, gerava reclamações de policiais militares e guardas civis municipais.
O promotor Rodrigo Lopes, responsável pelo caso, afirmou que um procedimento investigatório será instaurado para apurar os fatos. “Com este novo episódio, acompanhamos e vamos instaurar um procedimento investigatório. O atual comando do Deinter-2, bem como a Corregedoria, também acompanham o caso”, disse. Ele também destacou que as ausências funcionais do delegado serão tratadas pelos canais administrativos competentes.
A Corregedoria da Polícia Civil informou, em nota, que apura o caso e que eventuais ausências funcionais são tratadas pelos canais administrativos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) acrescentou que “situações que demandem apuração são encaminhadas para as providências cabíveis”. A pasta não comentou o mérito da investigação.
O caso ganhou repercussão após a recusa do delegado em fazer o teste do bafômetro, um procedimento padrão em situações de suspeita de embriaguez. A atitude de Erivan Vera Cruz pode configurar infração disciplinar e até mesmo crime de desobediência, dependendo das conclusões das investigações. Até o momento, a defesa do delegado não se manifestou publicamente.
A população da região acompanha com apreensão os desdobramentos do caso, que expõe possíveis falhas no atendimento policial. A apuração do MPSP busca esclarecer se houve prejuízo à segurança pública e se o delegado agiu com negligência ou dolo. As autoridades prometem rigor na análise das condutas funcionais do investigado.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/delegado-mpsp-chegou-atrasado-recusou-bafometro

