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Guarulhos

Gravação inédita mostra delator do PCC detalhando julgamento pela facção criminosa

Antônio Vinícius Gritzbach, executado em novembro de 2024, relatou em vídeo como foi absolvido pelo tribunal do crime do PCC durante negociação de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo.

Foto: Reprodução/MPSP

Raphael Nogueira Felix
26 de junho de 202603:18
Atualizado agora há pouco às 06:18

Uma gravação de videoconferência obtida com exclusividade revela detalhes inéditos da negociação de delação premiada de Antônio Vinícius Gritzbach, corretor de imóveis executado a tiros em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos. O registro, feito em janeiro daquele ano, mostra o delator relatando aos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como foi sequestrado e julgado pelo tribunal do crime do Primeiro Comando da Capital (PCC), do qual saiu absolvido.

Na conversa, Gritzbach descreveu o episódio ocorrido em janeiro de 2022, quando foi levado para um imóvel em obras onde ocorria uma reunião da cúpula do PCC. O corretor afirmou que, ao chegar, percebeu que não se tratava de um encontro comum, mas de um julgamento informal conduzido pela facção. Ele foi acusado de envolvimento na morte de dois membros do PCC, Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, e Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, assassinados em dezembro de 2021.

Gritzbach sempre negou participação no duplo homicídio. Durante a videoconferência, ele explicou aos promotores que havia ajudado Cara Preta na negociação de contratos imobiliários usados para lavagem de dinheiro, mas que não tinha controle sobre os negócios. Essa argumentação teria sido usada para convencer os membros do PCC de sua inocência, resultando na absolvição pelo tribunal do crime.

A delação premiada foi assinada em março de 2024 e homologada pela Justiça paulista no mês seguinte. As informações fornecidas por Gritzbach incluíam denúncias sobre policiais envolvidos com a facção, esquemas de lavagem de dinheiro e movimentações financeiras do grupo criminoso. As revelações são apontadas como motivo de sua execução, ocorrida em 8 de novembro de 2024, no terminal 2 do Aeroporto de Guarulhos, diante de dezenas de testemunhas.

O caso ganhou repercussão nacional, e a Polícia Civil de São Paulo investiga a participação de policiais militares na execução. Um PM da ativa foi preso suspeito de ter atirado em Gritzbach a mando do PCC. A namorada do corretor, influenciadora digital e ex-candidata a vereadora, também foi ouvida pelas autoridades.

O vídeo, que integra os autos da investigação, foi obtido pelo Metrópoles e mostra o momento em que Gritzbach detalha o sequestro e o julgamento. As imagens reforçam a tese de que a facção criminosa mantém um sistema de justiça paralela para punir traidores e resolver conflitos internos, o que já foi alvo de operações do Gaeco.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/em-video-inedito-gritzbach-contou-como-foi-absolvido-em-tribunal-do

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