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Guarujá

Música gospel durante enterro de candomblecista gera denúncia de intolerância religiosa em Guarujá

Fiéis de candomblé denunciam que coveiros tocaram música gospel em volume alto durante sepultamento no Cemitério do Morrinhos, em Guarujá. Caso é investigado como intolerância religiosa.

Coveiros ligam música gospel durante enterro de candomblecista em SPFoto: Reprodução/Prefeitura de Guarujá
Raphael Nogueira Felix
14 de agosto de 202615:20
Atualizado agora há pouco às 18:20

Uma cerimônia de sepultamento realizada no Cemitério do Morrinhos, em Guarujá, no litoral de São Paulo, terminou em denúncia de intolerância religiosa. Fiéis de uma casa de candomblé relataram que coveiros teriam colocado música gospel em volume alto propositalmente durante o enterro de um candomblecista, ocorrido no último sábado (8).

Segundo a comunidade religiosa, o ato aconteceu enquanto amigos e familiares realizavam um ritual de matriz africana. Os coveiros, ao notarem as canções típicas do candomblé, teriam ligado um som evangélico para abafar o momento, gerando constrangimento entre os presentes.

O vereador Anderson Bernardes, que recebeu a denúncia, confirmou ao Metrópoles que funcionários do cemitério teriam agido de forma intencional. «Recebi a reclamação de que funcionários ligaram em volume alto música gospel ao verificar que pessoas de religião de matriz africana estavam realizando um ato religioso no sepultamento que estava acontecendo. Não souberam indicar o nome dos funcionários que os afrontaram», disse.

A comunidade Ilé Àlakètù Àṣẹ Karelé, responsável pela cerimônia, repudiou o ato em nota oficial. No pronunciamento, os integrantes afirmaram que a atitude desrespeitou a liberdade religiosa e a ancestralidade do grupo. «Não se trata apenas de música, mas do respeito à liberdade religiosa, aos nossos preceitos e à nossa ancestralidade», destacou a comunidade.

Até o momento, os coveiros envolvidos não foram identificados. O vereador encaminhou a denúncia ao Fórum Inter-Religioso Municipal (FIRM) e à Secretaria de Direitos Humanos da cidade. Ele optou por não se manifestar sobre o caso até ouvir todas as partes: «Não tenho posicionamento, pois não ouvi as partes envolvidas. Recebi a reclamação a este respeito e encaminhei à Secretaria de Direitos Humanos».

A Prefeitura de Guarujá e a responsável pelo terreiro foram procuradas pelo Metrópoles para comentar o ocorrido, mas não responderam até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Casos de intolerância religiosa têm sido cada vez mais relatados em todo o país, especialmente contra religiões de matriz africana. Especialistas apontam que a discriminação religiosa é crime previsto em lei, com pena de reclusão de um a três anos, além de multa.

A denúncia reforça a importância do diálogo inter-religioso e do respeito à diversidade. A liberdade de crença é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal, e qualquer ato que viole esse direito deve ser investigado pelas autoridades competentes.

O Fórum Inter-Religioso Municipal (FIRM) e a Secretaria de Direitos Humanos ainda não se pronunciaram sobre o andamento das apurações. A comunidade religiosa aguarda providências e cobra punição aos responsáveis pelo constrangimento causado durante o sepultamento.

Lula e Davi Alcoumbre
Lula e Davi Alcoumbre

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/coveiros-ligam-musica-gospel-durante-enterro-de-candomblecista-em-sp

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