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São Paulo

SP concentra 144 delegacias da mulher, mas só 34 atendem 24 horas por dia

Levantamento mostra que 510 dos 645 municípios paulistas não têm Delegacia de Defesa da Mulher e que a maioria das unidades especializadas não funciona à noite nem nos fins de semana.

Imagem colorida mostra fachada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barretos, no interior de São Paulo, que prendeu homem que ateou fogo na casa de duas ex-namoradasFoto: Divulgação
Raphael Nogueira Felix
28 de setembro de 202603:10
Atualizado agora há pouco às 06:10

Um levantamento inédito sobre a rede de proteção à mulher no estado de São Paulo revela um cenário de cobertura desigual. Dos 645 municípios paulistas, apenas 135 contam com uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o que deixa 510 cidades sem uma unidade especializada da Polícia Civil para registrar ocorrências de violência doméstica e feminicídio.

Nas localidades sem DDM, o atendimento inicial costuma ocorrer em distritos policiais comuns, que podem ou não dispor de Salas DDMs. Esses espaços existem em 235 cidades, o equivalente a 36% do território paulista, mas funcionam de forma complementar e não substituem a estrutura de uma delegacia dedicada ao tema.

Os números obtidos junto à Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram ainda que, das 144 DDMs existentes no estado, somente 34 operam 24 horas por dia. As outras 110 unidades não têm atendimento durante a noite nem nos fins de semana, justamente os períodos em que cresce a incidência de casos de violência de gênero em todo o país.

Pesquisa do Monitor de Feminicídios no Brasil, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com dados de 2024, aponta que a média diária de feminicídios tentados e consumados entre segunda e sexta-feira é de 514 casos. Nos sábados e domingos, esse total sobe quase 50%, alcançando 766 ocorrências por dia, em média.

A militante Gabriela Mariel, de 33 anos, foi vítima de feminicídio em uma madrugada de junho do ano passado em Mauá, na região metropolitana de São Paulo. Na época, o município ainda não dispunha de uma DDM com funcionamento 24 horas, conforme denunciou o Movimento de Mulheres Olga Benário.

A primeira DDM do estado foi criada em 1985, durante a gestão de André Franco Montoro, quando ainda não havia estatísticas consolidadas sobre violência contra a mulher. Mais de quatro décadas depois, a rede chegou a 144 unidades especializadas, que registram, em média, 20 boletins de ocorrência por hora.

O dado foi levantado pelo Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindpesp) por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e abrange o período entre janeiro do ano passado e agosto deste ano. Foram lavrados 183.904 boletins em 2025 e outros 118.012 nos oito primeiros meses deste ano, total de 301.916 registros, o equivalente a 20,7 ocorrências a cada 60 minutos.

As delegacias especializadas instauraram 120.733 inquéritos no ano passado e 77.316 entre janeiro e agosto deste ano, média de 13,5 por hora. No mesmo intervalo, a Justiça concedeu 95.798 medidas protetivas em 2025 e 36.702 nos oito primeiros meses deste ano, o que corresponde a nove medidas deferidas por hora.

Dados obtidos pelo Metrópoles via LAI apontam que 1.667 policiais civis estão dedicados ao atendimento de casos de violência de gênero em São Paulo. O contingente, segundo a reportagem, é insuficiente para cobrir a demanda de um estado com mais de 600 municípios e ocorrências concentradas fora do horário comercial.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/510-cidades-sp-nao-tem-ddm-mulher

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